23 novembro 2010
E no fast fashion nacional…

Outro dia comentei aqui no Conversinha sobre o crescimento das linhas de grandes marcas ou estilistas nessas redes de fast fashion. A C&A já sabe fazer isso super bem, obtendo sucesso em quase todas as parcerias com marcas ou estilistas – salve as com celebridades, que costumam ficar entre medianas e fracas. A Riachuelo gerou gigante expectativa nos consumidores com sua linha de Oskar Metsavaht (leia-se Osklen) que acabou decepcionando um pouco na hora do provador ou mesmo ainda nas araras. Acontece que não é fácil reproduzir boas ideias em tecidos de baixa qualidade, sem contar acabamento precário e técnicas de estamparia que endurecem ou deformam a peça pronta. Além disso há o pequeno detalhe do preço que não se mostra tão tentador quanto poderia ser. O fast fashion nacional começa a querer brincar de ser grande e forte mas deixa de lado um ponto que é o mais importante dentro desse tipo de comércio… o valor do produto.

A coleção Rio de Janeiro é o puro exemplo de um monte de peças clássicas da Osklen que ali ficam lindas pelo trabalho com tecido incríveis; ao levar as peças para outros tecidos há um outro efeito que engana nas fotos mas não no corpo. Ao ver a coleção de perto a atração fica quase que limitada as peças de malha e as bermudas masculinas, bem bonitinhas. No mais mochilas engraçadinhas, com preços nada engraçados, e cortes por demais complicados que necessitariam de ótimo caimento para vestir bem. Comentar a estamparia é desnecessário, basta pegar no tecido duro e pesado ou mesmo nas imagens manchadas.

Não é uma assinatura de peso que faz de uma linha um grande sucesso. Esse problema de caimento e de modelagem também foi encontrado na coleção da Maria Bonita Extra para a C&A, porém foi menos gritante. Com poucos dias após o lançamento ambas as coleções, Rio de Janeiro e MBE, desapareceram das lojas restando apenas as peças mais sem graça e mais estranhas mesmo (feias!). É um reflexo de que a ideia é ótima, é vendável e pode render muito se melhor explorada. Quer brincar de ser H&M? Pense grande em volume, qualidade, divulgação e preço.

Apenas uma observação. Eu particularmente acho o máximo as peças se esgotarem tão rápido. Acho que manter esse volume enxuto de produto é o que gera o bafafá crescente que pode dar linha para filas na porta e empurra-empurra no maior estilo Kate Moss para Topshop (bons tempos, já que a top outro dia lançou sua última linha para a rede). Mas é assim… tem que ter a expectativa, burburinho e (repito) bons produtos. Isso de maximizar lucros precisa ter um limite.

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31 maio 2010
Chuva de Imagens – Fashion Rio

Temporada de moda esquentando as ideias pra um verão que promete quebrar toda essa onda oitocentista pesada que pra muitos já deu o que tinha que dar. Alguém ainda quer comprar tachas, rebites, correntes e calça de lycra?! Olha pra frente que o verão vem quente dãn.

Assim como já havíamos visto no Minas Trend Preview pode-se perceber uma profusão de tons de laranja, salmão e amarelo combinados a neutros ou contrastantes verdes azulados. Nas formas a fluidez e leveza da estação com comprimentos encurtados de sensualidade fácil mas não óbvia.

Uma onda brejeira, no sentido mais meigo e doce da palavra, parece pedir passagem. Nada é muito certinho, preso ao extremo nas linhas da silhueta. Perceba na Cavendish que há espaço para respirar em roupas com muito detalhes inusitados e inesperados. Mas essa é uma referência bem recorrente das marcas que desfilam no Rio… não há como esperar o contrário.

Já o sapato oxford continua assim como se vê na Printing e outros, por isso é um bom investimento ainda no inverno; o cinto amarrado também aparece bastante, sendo uma boa tendência antiga (insistente) para colocar em prática; coletes jogam com a forte presença da terceira peça, que entra como elemento decorativo ou complementar.

Mistura de estampas ou mesmo reunião de estampa com acessório marcante, que pode vir muitas vezes aplicado na própria peça – como se vê na Claudia Simões. Recortes e volumes, construções requintadas, apontam para releituras dos clássicos e básicos.

Renda e feminilidade potencializadas pelos detalhes em amarração tipo corselet. Obra desejo da Graça Ottoni para entrar já no guarda-roupa, mostrando que cores leves ou neutras, sejam fruto do branco ou preto, podem muito bem ser incríveis se tiverem detalhes suficientes para preencher a composição.

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