Outro dia comentei aqui no Conversinha sobre o crescimento das linhas de grandes marcas ou estilistas nessas redes de fast fashion. A C&A já sabe fazer isso super bem, obtendo sucesso em quase todas as parcerias com marcas ou estilistas – salve as com celebridades, que costumam ficar entre medianas e fracas. A Riachuelo gerou gigante expectativa nos consumidores com sua linha de Oskar Metsavaht (leia-se Osklen) que acabou decepcionando um pouco na hora do provador ou mesmo ainda nas araras. Acontece que não é fácil reproduzir boas ideias em tecidos de baixa qualidade, sem contar acabamento precário e técnicas de estamparia que endurecem ou deformam a peça pronta. Além disso há o pequeno detalhe do preço que não se mostra tão tentador quanto poderia ser. O fast fashion nacional começa a querer brincar de ser grande e forte mas deixa de lado um ponto que é o mais importante dentro desse tipo de comércio… o valor do produto.

A coleção Rio de Janeiro é o puro exemplo de um monte de peças clássicas da Osklen que ali ficam lindas pelo trabalho com tecido incríveis; ao levar as peças para outros tecidos há um outro efeito que engana nas fotos mas não no corpo. Ao ver a coleção de perto a atração fica quase que limitada as peças de malha e as bermudas masculinas, bem bonitinhas. No mais mochilas engraçadinhas, com preços nada engraçados, e cortes por demais complicados que necessitariam de ótimo caimento para vestir bem. Comentar a estamparia é desnecessário, basta pegar no tecido duro e pesado ou mesmo nas imagens manchadas.
Não é uma assinatura de peso que faz de uma linha um grande sucesso. Esse problema de caimento e de modelagem também foi encontrado na coleção da Maria Bonita Extra para a C&A, porém foi menos gritante. Com poucos dias após o lançamento ambas as coleções, Rio de Janeiro e MBE, desapareceram das lojas restando apenas as peças mais sem graça e mais estranhas mesmo (feias!). É um reflexo de que a ideia é ótima, é vendável e pode render muito se melhor explorada. Quer brincar de ser H&M? Pense grande em volume, qualidade, divulgação e preço.
Apenas uma observação. Eu particularmente acho o máximo as peças se esgotarem tão rápido. Acho que manter esse volume enxuto de produto é o que gera o bafafá crescente que pode dar linha para filas na porta e empurra-empurra no maior estilo Kate Moss para Topshop (bons tempos, já que a top outro dia lançou sua última linha para a rede). Mas é assim… tem que ter a expectativa, burburinho e (repito) bons produtos. Isso de maximizar lucros precisa ter um limite.











