Conversinha Fashion » C&A
20 dezembro 2011
Como comprar: lojas populares

Lojas populares escondem achados, entre agradáveis surpresas que valem o esforço de procurar e garimpar

Muito se escuta que é impossível comprar roupa legal em lojas como C&A, Renner, Riachuelo, Marisa e afins. Bom, balela. É sim possível garimpar peças bacanas, principalmente se o que você busca não é qualidade eterna. Qualidade, aliás, não combina com produção em massa e isso vale muitas vezes para Zara, H&M e, principalmente, para Forever21. As roupas dessas grandes redes tendem a ser descartáveis e não passam por um bom controle de qualidade, o que diminuiu os custos e aumenta a chance de erros na modelagem e, também, nas costuras que facilmente se desfazem. Mas, nem tudo está perdido afinal uma peça nem sempre é minimamente igual a outra e, por tal razão, você pode encontrar uma luz nas araras

Essas lojas mais baratinhas, e de qualidade duvidosa, são ótimas para comprar todas aquelas tendências que ainda não se eternizaram no seu guarda-roupa. No entanto, aquelas peças que você sabe que precisar sempre, e vai usar muito, tendem a ser base para investimentos um pouco mais pesados. Vale a velha regra do custo x benefício.

Peças de uma mesma loja popular. Contraste entre estilo, lavagens, exagero e detalhes ultrapassados. Basta procurar com carinho.

O que encontramos nas grandes redes? Shorts jeans cutinhos, camisetas podrinhas, regatas com rendinha, calça social sem detalhes além de vestidinhos para praia ou mesmo alguns mais arrumadinhos. Vale ficar de olho em caimento, claro. Acessórios como colares ou pulseiras também podem ser boas aquisições, mas é preciso ter paciência para olhar calmamente as araras que, quase sempre bagunçadas, são uma mistura de desastres e bagatelas. Para quem não tem a menor paciência para olhar, olhar, olhar e olhar (sem exagero) vale ficar de olho em blogs como o Futilish que sempre contam onde encontrar coisas legais. Quebrar preconceitos, antes de tudo, é primordial. Já passou o tempo de julgar as roupas pela etiqueta… mesmo porque muitas lojas caras, com peças que custam seis dígitos, possuem a mesma qualidade duvidosa que é encontrada em Hering e afins.

Blogueiras do F.Hits mostrando que dá para encontrar peças legais em uma das lojas populares com preço mais baixo. As características seguem orientações básicas.

  • # Peças limpas
  • # Aviamentos neutros
  • # Fuja de lavagens
  • # Tecidos pouco sintéticos
  • # Modelagens simples
  • # Estampas clássicas
  • # Caimento desestruturado

Pois bem. O que estraga as lojas populares é a mania insistente de papagaiar as peças, com pedrinhas, brilhos e estampas localizadas totalmente desnecessárias nada vida de uma pessoa. Sabemos que limpeza visual é o que há e que os enfeites, ou detalhes, precisam ser bem aplicados para de fato funcionar.

02 dezembro 2010
Quanto vale?

Hoje gastei o tempo entre um atendimento e outro para brincar de provar as peças da coleção da Espaço Fashion para a C&A, depois corri para a Zara por questão de hábito. As roupas são bonitinhas, bem engraçadinhas mesmo; atenção especial para as estampas e para os shorts/saias de comprimento mini. Tudo bem. Gostei de várias coisas, achei outras de péssima qualidade, mas não comprei nada. Não fui para comprar. Ao sair da loja, em coisas de twitter (me segue lá, sou @alburcas) encontrei por acaso com Ana Pedras (colega de profissão, blogueira, que me deixou mais louca ainda por um ipad) e Isabel Borges (leia-se De Viés). Ao ver a etiqueta de uma das compras da Isabel, Ana disse: “nossa, como as coisas estão caras”. É verdade. As coisas, principalmente as roupas, estão caras. Me senti bem por não ser a única a achar isso… porque não consigo pensar em outra coisa e não tenho argumentos para justificar preços com clientes, o que melhora meu trabalho já que o mesmo fica mais valorizado pela relação entre custo e benefício. Eba. Comprar bem em tempos de coisas caras é tudo o que se precisa para não passar raiva. Mas, voltano para as tais ‘coisas caras’… coleções especiais tem um preço alto que cai direto na etiqueta. Vale a pena? Por mais que as peças sejam bem parecidas com as da marca original, principalmente num caso como o da Espaço Fashion, há de ter a noção clara de que não passa de C&A – fast fashion; são peças marcadas que muita gente vai ter, principalmente nos grupinhos mais ligados a essas linhas. Ok, legal. Existem pontos fortes e fracos nessa brincadeira que já tratei em outro post, sendo até crítica demais.

E o mesmo vale para a Zara. Provei, provei e provei. Amei uma blusa, talvez até compraria, mas R$80 numa peça que estava cheia de defeitos é muito para o meu bolso… pesa, vai estragar mais ainda com o tempo e logo vou ter que parar de usar não por vontade mas por qualidade. Se alguma das peças não tivesse defeito, se custasse metade disso, ou menos como vemos nas redes gringas… outra história.

Sim, as coisas estão caras mas não venham me culpar exclusivamente os impostos. Dia desses no Pense Moda houve uma boa discussão sobre produtos importados vendidos no Brasil. Não estava lá, mas acompanhei tudo aqui pela internet. Deu um bafafá e eu não conseguia parar de pensar… quer fazer a indústria da moda brasileira falir? Deixa entrar por aqui todo e qualquer produto importado com preço baixo… vai ser um desastre! Pensem. Enfim, os impostos estão ai e são sim altos principalmente em bens supérfluos (quiçá os importados, que possuem similares no mercado nacional) mas não dá para culpar exclusivamente o governo e não pensar no outro lado. É questão de proteger o mercado interno. E a gente precisa mesmo de roupas importadas? Acho que quem precisa tanto pode ir fazer suas compras nos Estados Unidos ou em qualquer país da Europa e pronto. Não me venha com mimimi de quero minha Louis Vuitton por 1.500… zZzZZzz Temos bolsas legais aqui também e existem tantas outras marcas lá fora… Só me dói nos eletrônicos, mas é só ter paciência para esperar uma viagem, ter bons contatos que viajam muito ou pagar mais caro por aqui – e parcelar de 10x, coisas do nosso brasilsilsil país do futuro.

Assim, então, tentando voltar para o ponto inicial… será que não é possível também importar os preços bonitos? Blusinhas por 9,90, calças por 29,90, jaquetas por 37,90… estou sendo muito Pollyanna?! Talvez. Mas sei quanto custa tecido direto na fábrica, sei quanto ganha uma costureira de facção… é só fazer as contas e não produzir em minas que possui uma carga tributária absurda (sabia?! até diminuíram quase pela metade em certos pontos, no meio do ano, but…). Enquanto os preços forem caros fico com meus hábitos de sempre, cada vez mais fechados. Poucas roupas, muitos acessórios, peças que duram e um guarda-roupa com a minha cara e não com a cara da estação. Até que sou bem feliz assim.

Leia mais

23 novembro 2010
E no fast fashion nacional…

Outro dia comentei aqui no Conversinha sobre o crescimento das linhas de grandes marcas ou estilistas nessas redes de fast fashion. A C&A já sabe fazer isso super bem, obtendo sucesso em quase todas as parcerias com marcas ou estilistas – salve as com celebridades, que costumam ficar entre medianas e fracas. A Riachuelo gerou gigante expectativa nos consumidores com sua linha de Oskar Metsavaht (leia-se Osklen) que acabou decepcionando um pouco na hora do provador ou mesmo ainda nas araras. Acontece que não é fácil reproduzir boas ideias em tecidos de baixa qualidade, sem contar acabamento precário e técnicas de estamparia que endurecem ou deformam a peça pronta. Além disso há o pequeno detalhe do preço que não se mostra tão tentador quanto poderia ser. O fast fashion nacional começa a querer brincar de ser grande e forte mas deixa de lado um ponto que é o mais importante dentro desse tipo de comércio… o valor do produto.

A coleção Rio de Janeiro é o puro exemplo de um monte de peças clássicas da Osklen que ali ficam lindas pelo trabalho com tecido incríveis; ao levar as peças para outros tecidos há um outro efeito que engana nas fotos mas não no corpo. Ao ver a coleção de perto a atração fica quase que limitada as peças de malha e as bermudas masculinas, bem bonitinhas. No mais mochilas engraçadinhas, com preços nada engraçados, e cortes por demais complicados que necessitariam de ótimo caimento para vestir bem. Comentar a estamparia é desnecessário, basta pegar no tecido duro e pesado ou mesmo nas imagens manchadas.

Não é uma assinatura de peso que faz de uma linha um grande sucesso. Esse problema de caimento e de modelagem também foi encontrado na coleção da Maria Bonita Extra para a C&A, porém foi menos gritante. Com poucos dias após o lançamento ambas as coleções, Rio de Janeiro e MBE, desapareceram das lojas restando apenas as peças mais sem graça e mais estranhas mesmo (feias!). É um reflexo de que a ideia é ótima, é vendável e pode render muito se melhor explorada. Quer brincar de ser H&M? Pense grande em volume, qualidade, divulgação e preço.

Apenas uma observação. Eu particularmente acho o máximo as peças se esgotarem tão rápido. Acho que manter esse volume enxuto de produto é o que gera o bafafá crescente que pode dar linha para filas na porta e empurra-empurra no maior estilo Kate Moss para Topshop (bons tempos, já que a top outro dia lançou sua última linha para a rede). Mas é assim… tem que ter a expectativa, burburinho e (repito) bons produtos. Isso de maximizar lucros precisa ter um limite.

Leia mais

27 outubro 2010
De olho no fast fashion

Parcerias entre redes de fast fashion e nomes conhecidos da moda são interessantes para todos. Além do potencial natural de lucro, para quem produz, há a gigante visibilidade que a marca recebe fazendo com que o tal investimento altíssimo, acredito eu, retorne na forma de marketing e credibilidade. Para o cliente a aquisição de uma peça legal, com linhas interessantes e preço bom, é algo que fideliza e quebra preconceitos.

Hoje a concorrência interna entre as redes fez a multiplicação mágica das opções. Novembro será mês de grandes lançamentos… com direito a Oskar Metsavaht para Riachuelo e Maria Bonita Extra para C&A – só para começar.

Para sair feliz com sua sacolinha temática é necessário pensar bem no calculo mental do custo benefício, pois essas coleções especiais tendem a não ter preços tão baratinhos quanto os trabalhados nas Riachuelos, C&As e Renners da vida. Atentar-se para acabamento, problemas de modelagem e pequenos defeitos é primordial – sabendo que se uma peça está estranha pode ser que outra, idêntica, esteja perfeita. Se o controle de qualidade da facção que produz a peça (ou da própria marca em sua área de acabamento) é fraco cabe a nós consumidores tomarmos um super cuidado com o que levamos para casa.

Além de Oskar Metsavaht para Riachuelo e MBE para C&A teremos também Renato Kerlakian (leia-se ex Zoomp), Glória Coelho e Espaço Fashion (novamente) na C&A. Então corra Renner, corra Riachuelo que a C&A disparou na frente. Há rumores de que Cris Barros também terá linha na Riachuelo… oremos!

Na primeira imagem a flagship da C&A, no Shopping Iguatemi (SP); na segunda imagem a coleção da MBE para C&A; na última imagem Oskar Metsavaht para Riachuelo.

  • %