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02 agosto 2011
Lojas viciantes e fidelização

Elas são envolventes, despertam ao extremo o desejo de compra; lojas viciantes possuem um amplo público fiel que, nas araras, sempre encontram o que precisam.

Elas fidelizam seus clientes com coleções interessantes, ligadas às tendências e forte sintonia (e respeito) com o corpo do consumidor. São porto seguro para mulheres que abastecem o guarda-roupa, estação após estação, com peças que não decepcionam – ao menos não ao extremo. São referência certeira nas buscas pelos itens imaginados, na construção fácil de looks interessantes.

A Zara é classica. Paixão de inúmeras mulheres, por todo o mundo, que dispensa apresentações. Mas, de toda forma, é uma rede de fast fashion que suga o melhor de todas as tendências e aplica em interpretações, as vezes bem literais, do que gera desejo de compra nas passarelas mais vigiadas do mundo. O que para alguns é ponto forte, a facilidade de interação com os produtos que ficam todos expostos, é uma desvantagem para outros, que gostam do contato e auxílio direto do vendedor.

Já a Shoulder é um exemplo claro de insersão das tendências em uma imagem de marca muito bem definida e estabelecida, que valoriza não apenas as mulheres jovens, mas as de todas as idades. Com um toque romântico, despojado, até as peças mais arrumadas são confortáveis e práticas. A distribuição dos produtos na loja, em blocos separados por tema, estampa ou estilo, também é ponto forte para os clientes localizarem em um amplo leque de opções aquela linha que mais conversa com seu gosto pessoal.

Atenção para a Le Lis Blanc que possui uma disposição muito parecida com a Shoulder, porém segue uma linha um pouco mais chique, apostando em tecidos sofisticados. Lojas amplas e arejadas, sempre frias, garantem o conforto. É esse clima refinado que faz da marca a queridinha das mulheres que querem ir além do romântico, que gostam de valorizar a elegância. O atendimento tende a ser simpático e bem direcionado, apesar de por vezes focar pelo excesso de elogios (algo que se repete em diversas marcas, por questão da própria vendedora). Assim, o que se tem como resultado é um ambiente propício para o distanciamento do real, que deixa o processo da compra muito mais divertido.

Enquanto isso a Farm conseguiu manter muitos de seus fieis seguidores mesmo após o boom da marca, com estampas alegres e divertidas que traduzem a identidade carioca. As modelagens, que quase sempre se repetem, são levemente alteradas pela utilização dos tecidos ou detalhes da vez, fazendo das coleções extremamente atuais – mas com forte personalidade. Até mesmo a pouca qualidade de algumas peças não atrapalha o sucesso da marca que é sucesso para jovens ou adultos de espírito leve e feliz.

Com pegada totalmente sexy, de rastros elegantes, a Bob Store abusa da feminilidade marcante para prender suas viciadas clientes. Estas aproveitam o estilo fatal da marca para explorar seu lado mais sensual, através do qual conseguem se sentir cada vez mais incríveis. Apesar do leque de produtos relativamente pequeno, limitado, as linhas são renovadas com boa frequência gerando a facilidade da exclusividade – ou da tão maravilhosa sensação da mesma.

Exemplos semelhantes são Arezzo, Santa Lolla, Espaço Fashion, Osklen, Animale, Richards, Colcci ou outras que, em seus contextos, possuem seus clientes fieis que conhecem cada e toda peça que chega, e sai, da loja. O cuidado, nesse vício e nessa forte sintonia com certas grifes, deve ser o de ganhar, por fim, um visual caricato ao extremo – quase que como um espelho do lookbook da marca.

Enfim, são imúmeras e variadas as marcas que conquistaram, e fidelizaram, seus clientes com a receita mais básica de sucesso no universo da moda. Produtos atuais, qualidade, ambiente confortável, marketing estável e equipe de vendas preparada. Esse mix, complexo, gera um resultado direto de satisfação em quem compra. Mais do que identificar os atuais bem sucedidos nesse universo vale perceber como tudo isso é volátil. Até pouco tempo atrás nomes como Vide Bula, Zoomp/Zapping ou Forum eram preciosidades aparentemente inabaláveis; porém, por questões variadas, tudo mudou e outras marcas assumiram esse lugar. A razão disso é que nada é insubistituível e nós, como compradores que precisamos de roupas legais para usar, sempre encontramos nosso reflexo em um outro universo.

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20 outubro 2010
É saia… e é longa

A ideia de uma saia longa fora do contexto festivo ou do toque hippie, camponesa, temático era até pouco tempo atrás algo pouco explorado. Acontece que hoje a história é outra e as saias longas chegaram com tudo seduzindo pelas evidências de conforto e feminilidade.

Como nem tudo que é novidade chega com manual de instruções vale se atentar para algumas fatalidades visuais que podem ser geradas por essa peça que já assusta pelo excesso de tecido e pelas referências batidas e mal vistas. Longe do visual campestre o que se deseja é um toque de casualidade despretensiosa com perfume elegante.

A saia não deve ter volume. Indiferente da silhueta, do corpo perfeito, magro ou longo vale saber que a saia longa com volume remete diretamente a ideia de uma fada saltitando pelo jardim, ou mesmo uma princesa em dia de gente. As linhas devem ser basicamente verticais, com peso cadenciado e não concentrado no quadril ou na base. Em todas as imagens é possível observar essa distribuição quase que uniforme de tecido, até mesmo quando pregas geram camadas invertidas (como uma cortina). Nesse detalhe o truque que vai equilibrar ou valorizar sua silhueta; para amenizar peso visual busque saias mais secas, que não apertem no quadril e para agregar volume trabalhe com pregas suaves e bem distribuídas por toda a circunferência.

No tópico comprimento nada de buscar algo que arraste no chão, varrendo a calçada. Um leve encurtamento deixa a peça mais moderninha, mesmo que estejam a mostra só uma parte do solado do calçado. O toque final fica por conta dos complementos, que são os responsáveis por fazer a compensação de peso e adicionar mais diferenciação. Marcar a cintura não é obrigação, mas algo na porção superior deveser realçado ou delineado para evitar o efeito saco de batatas; que seja abaixo do busto, na linha de cintura ou no quadril. Uma sobreposição ou mesmo um colar podem gerar esse impacto visual.

O tecido da saia é outro elemento de grande importância. Uma peça em material maleável e leve ao extremo marca cada detalhe do corpo, o que não acontece com um pano um pouco mais duro ou encorpado; em compensação uma estrutura armada por encaixotar uma silhueta delicada.

Fora da imagem toda soltinha e fluida da saia longa com camiseta molinha é interessante explorar o caminho da saia um pouco mais marcada, de cintura no lugar e peça superior utilizada por dentro. Ganha-se longas pernas, cintura fina e tronco em evidência. Os ajustes finais podem ficar por conta dos acessórios e do jogo de cores, enquanto você lança mão de uma tendência sem necessariamente cair no visual batido e reproduzido a exaustão.