02 dezembro 2012
Só pra constar

Curiosidade de tempo no qual as conquistas são validadas por postagens e curtidas

Para muitos, já não há mais diversão sem flashes, felicidade sem postagem de fotos e conquistas sem declarações registradas em redes sociais. Na era do espectáculo, comunicar sentimentos e divulgar elementos que remetem à superioridade parece algo quase que obrigatório. A compra, a viagem, o jantar, o ingresso, a roupa ou o drink. Um foto, um comentário, a contabilização de curtidas e de popularidade. Observados por muitos, queridos por poucos, somos escravos de um tempo de carências e muitos os que ambicionam elogios ou até mesmo a atenção da crítica. A afirmação da suposta felicidade parece mais importante do que a felicidade em si. Ou a conquista só é saborosa se for passível de comparações. Talvez será preciso um pouco mais de tempo, e maturidade, para aprender a lidar com as características multifacetárias da vida virtual, ou mesmo descobrir a melhor maneira de jogar com as possibilidades de um momento no qual podemos expor nossas vidas de maneira instantânea e, naturalmente, sofremos com a mesma velocidade de tal ato ao perceber que toda euforia é passageira. Após o auge da foto, do post, sobra apenas a realidade que nem sempre é tão mágica. Esta, aliás, quando é perfeita, ou intensa, supera a necessidade de divulgação, pois por si só já é plena.

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30 setembro 2012
Quer um sinal?

Pare de esperar sinais e faça acontecer

A vida nos apressa, chama, incita, nos lembra da necessidade de que algo seja feito, de que tudo mude ou continue como está. Decidir não mudar já é uma decisão. São estalos de realidade, sopros na memória ou instantes de lucidez que gritam a necessidade de que as coisas se transformem, se reestruturem, saiam de um lugar para outro. É a mente pedindo para respirar um ar puro e fresco fora da zona de conforto, é o corpo implorando por algo melhor, por algo mais digno ou mais cheio de vida. E se ficamos sempre parados esperando por um sinal da vida, estamos deixando o tempo passar – este que corre cada vez mais rápido, com uma velocidade assustadora, como o sangue que corre em nossas veias. Se estivermos dispostos, alertas, atentos e vivos, estaremos sempre criando ou encontrando nossos próprios sinais, como chances para fazer o que deve ser feito. Trata-se de uma forma de descobrir coisas maravilhosas entre as artimanhas do acaso. É o tal fazer acontecer. Se você estava esperando um sinal, talvez o sinal seja este, talvez ele esteja bem na sua frente. Um novo dia é sempre uma nova chance, uma oportunidade para fazer tudo certo, ou errar com a segurança de quem arriscou. Basta fazer alguma coisa, nem que esta coisa seja não fazer nada, mas com consciência, tendo na mente a certeza de que até mesmo a espera foi fruto de uma decisão.

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16 setembro 2012
Só pra constar…

Nem sempre ser parte da regra é o mais legal – não mesmo. As vezes sair fora da tendência, jogar com o que não é modismo, é o que mais acrescenta e é o que gera autoestima elevada.

Nem sempre o óbvio é o que fica melhor. Pode ser que a ousadia carregue aquele diferencial que deixar tudo muito mais intenso, que chama mais atenção que o mix seguro, que aquilo que já foi previamente aprovado. Não vale apenas na moda, mas também na decoração, na arte, na vida como um todo. Um ponto fora do lugar, algo que incomoda, também instiga.

Daí que agradar a todos ao mesmo tempo pode não ser o resultado final, mas isso, aliás, nem mesmo importa – quem vive pensando nisso, vive para os outros. Mais importante é fazer como mandou a vontade, como indica o tal sexto sentido que sopra boas possibilidades.

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05 agosto 2012
Só pra constar

Eu, você e todos nós por vezes nos acostumamos com menos do que merecemos. Também por vezes nos acostumamos com o sofrimento, ou com o peso dos problemas, com a amargura como justificativa e desculpa. Assim, as marcas do que é doloroso, ou insuficiente, ficam no rosto cansado, na postura largada, na carga que peso nos ombros. Não é fácil, mas com o tempo já nem percebemos o quão cansativo é viver assim.

Nos acostumamos com o que é negativo, talvez sem saber o por quê… ou usamos isso como uma razão para alimentar reclamações, salientando os problemas e destacando as dificuldades que nos afastam da realidade. Seja como for, nenhuma pessoa deve levar na manga uma história para explicar a razão pelas quais algo não deu certo. Pesa menos assumir o erro ou apenas encarar que nem sempre as coisas funcionam na primeira tentativa, seja pelo que for. Se despir do papel de vítima é se vestir de força e coragem e assim dizer ao mundo que você está sim pronto para que coisas boas aconteçam. Esse otimismo por mais poético que seja pode transformar seu dia, sua vida, seu futuro. E essa onda positiva é contagiante, mais envolvente que qualquer conversa triste.

“You think you deserve that pain, but you don´t”. A fala foi superficialmente tirada de “Me and you and everyone we know” de Miranda July. Cheio de clichês e de frases prontas, o filme consegue ser envolvente do início ao fim. Vale a pena assistir, para quem ainda não o fez.

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12 setembro 2011
Entre trabalho, esforço e entregas…

O que conquistamos depende de atos, de passos ousados ou de paciência na espera: entre se dedicar, e saber aguardar,peças da vida

É na busca e na dúvida que descobrimos o preço da independência, o quanto custa arcar com sonhos e desejos. Arcar financeiramente e emocionalmente, pagando caro pelo desejo de ir além. É perdendo noites de sono, trocando diversão por trabalho, que entendemos o quanto tal esforço enobrece, por ser fonte de escolhas e por ser meio, com literal suor, de fazer loucuras sem precisar escutar críticas ou reprovações. O tal custo da independência. O trabalho não só enobrece, mas gera autonomia para seguir caminhos.

A vida é, de fato, mais fácil quando não pede planejamento, quando vem com contas pagas e sequências de presentes; é mais prático, porém não muito interessante. Claro, há o valor dos presentes, quando eles não compram o carinho e a atenção, funcionando como homenagens materiais e não uma troca de favores. Mas, só isso seria o bastante?!

Assim, seguindo essa lógica, são pobres de alma aqueles que se vendem por meros trocados, aqueles que se entregam por lembranças e que se doam pela estabilidade do suposto relacionamento perfeito perante a sociedade. E assim, o que pode ser bom para os outros, não funciona para todos; não há garantia na forma de agir ou decidir ao escolher amores por meros acordos financeiros, como nos tempos antigos onde famílias eram construídas à sombra de vantajosas uniões – para ambos os lados. Volta a aparecer o quanto a capacidade de trabalhar, e criar, pode ser atraente, ainda que não se manifeste em literais vantagens comerciais.

Daí, aprendemos com os erros alheios e vemos que devemos cuidar das falhas que nem sequer imaginamos que somos capazes de cometer. Há na carência um grande monstro, materializado pelo sonho de ter o que não era para se ter – ao menos não naquela hora. Quando deixamos o ilusório de lado, encontramos o que tanto procuramos, nas entrelinhas da vida e nos acasos que nos cercam. Por fim, acreditamos no destino, ainda que este seja fruto de coragem e disposição para viver um sonho e contruir um caminho. Passam a ter significado frases batidas, manifestadas em momentos de paz, muito mais incríveis que os de euforia. É assim que fica claro que tudo o que se constrói, deve ser pensado por inteiro… e não pela metade.

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