22 junho 2008
Conceito para Usar

Adoro moda conceito. 

Adoro moda com significado, que não diz apenas ‘olá’. 

A moda de Ronaldo Fraga é assim. Ela conversa mas não força a mensagem. Passa informação, mas não fica alegórica (demais). É muito difícil conseguir transformar conceitos fortes em roupas legais – Ronaldo faz isso com primazia. 

Ai, deixe-me citar o cenário. Tava lindo. Super lindo. Parabéns pelo cuidado, mais uma vez.

Aparentemente, pode parecer que nada de sua coleção é usável, e que tudo é lindo para ser observado mas não para merecer lugar em seu guarda-roupa. Certo?! Errado. Vamos pensar e bolar um plano de ação.
A calça larguinha de cós baixo, laranja, é tendência e veste legal. Combine com blusa sequinha e pronto. As muitas blusas desconstruídas que ele apresenta, ficam bem com calças secas, básicas. Numa composição como essa, deixe de lado acessórios e saiba que toda a atenção estará voltada para a ‘legítima peça Ronaldo Fraga’. Vão todos falar: “é daquela coleção do rio São Francisco sabe…. foi lindo”. O mesmo com os vestidos. Deixe a peça brilhar. 

Voltando ao mundo do preprepre… Gosto muito da última fase do desfile (quando o rio já está poluído). O tom de azul acizentado é meigo de lindo. O vestido estilo sacola, de estampa escama de peixe, também arrasa. A partir daí uma boa sequência de peças usáveis, do jeito que a gente gosta. E que tudo o último vestido (do rio morto). 

No mais, brincar de usar a moda proposta por Ronaldo Fraga requer boa vontade e uma pitada de ousadia. Não basta olhar e falar que não dá – tem que tentar. Acho que num tempo onde todo mundo fala tanto sobre cultura e coisas do tipo a moda tem mesmo que transmitir suas reflexões, passar suas mensagens. A gente precisa parar de ter preguiça de pensar. É sério. 
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22 junho 2008
Ela é Doce, mas Forte

Desfiles comentados no meio da madrugada, em pleno sábado. É a vontade fashion pegando pesado em mim. Gritando na minha cabeça dia e noite. Vá entender.

Tenho que falar sobre o desfile da Isabela Capeto.

Ok, a crítica caiu em cima. Entendo. Suas ideias estão se repetindo… over and over… mas isso não seria identidade?! Não achei tudo tão igual assim… não a ponto de merecer o que escutei e li hoje. Massssssss…. quem sou eu na balada, neam?!

(estou terrível)

Vamos ao que importa.

A moda de Isabela vem inspirada no México, simplificando. As imagens são fortes, marcantes. Desde os primeiros looks, detalhes em preto já dão o tom que vai imperar. A mulher é doce, mas não bobinha. Sabes como né. Uma mulher feminina, mas que está ali expressando suas emoções nas roupas – numa vida que tem espaço também para o drama. Quem não gosta?!

Em bordados e estampas, característicos de suas peças, a grife conta sua história. As aplicações se repetem, alinhadas ou não, e fazem das peças objetos para ter pra sempre – como sempre. São sianinhas, paetês, rendas, fitas, laços, coisinhas mil que estão sempre ali e fazem da moda apresentada por Isabela Capeto objetos de desejo. É algo inexplicável. Dessa vez, não foi diferente. Ora. 

Eu já quero sair por ai usando o vestido de estampa preto/branco (aparentemente inspirada em azulejos), na altura dos joelhos. É lindo. Eu indico a camiseta com mega big coração. E a combinação capa e vestido, ambos estampados, que aparece logo no começo do desfile?! É de doer de tão lindo. Tão feminino… mulher… chique meeesssmo. 

Acho que o mais legal desse desfile de Isabela Capeto é que os trabalhos artesanais não ficarão tão em evidência, sendo que o tom de dourado e os detalhes em preto levaram as peças para outro nível. Não sei explicar.

No mais, esta tudo ali. As tais tendências. O tomara-que-caia, o colete e até mesmo o macacão. Tudo ali com cara de Isabela Capeto, com jeito de quem tem personalidade e que vai continuar a brilhar. 
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21 junho 2008
Doces Bonecas

Que linda a moda de Reinaldo Lourenço. Meiga. Meiga como as mulheres chiques e finas gostam. Ui.

Formas femininas e bem feitas. Românticas. Dizem que são bonecas de porcelana. Eu acredito.

Sequência de brancos, de comprimentos logo acima dos joelhos. Colares de pérola, formas não muito ajustadas ao corpo – mas próximas. Tressê, alfaiataria, laços… Cintura marcada hora com cintos finos, hora com a própria modelagem da roupa. 

A boneca, com o passar do desfile, parece se tornar menos doce – mas ainda assim não perde a feminilidade. Moda para tipos distintos de mulher. Surgem babados, contrastando com a força das cores vivas que vão surgindo. Crescem os laços, endurecem-se os tecidos e o romantismo permanece ali. Ponto para o styling

Formas detalhadamente construídas, roupas minuciosamente trabalhadas. O artesanal moderno que toda mulher há de gostar.

Não há muito o que dizer. Reinaldo Lourenço sempre se supera, sempre mostra uma moda que vai estar em todas as revistas – como peças ‘tem que ter’. 
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21 junho 2008
Herchcovitch

Chegou, chegou. O desfile que eu sempre espero, ontem aconteceu. Falo do Herchcovitch feminino.

Sou super cliente. Adoro as roupas dele e uso até falar chega. Gosto de como me com o tipo de corte que ele realiza – não há feminilidade exagerada, não há decotes ou recortes vulgares. Alguns dizem que suas roupas são feitas para deixar a mulher mais feia, mas eu não concordo. Pra mim, que com uma bobagem fico feminina demais, não há nada melhor. Além disso, a qualidade e acabamento das peças são ótimos e, o melhor, tem loja online cheia de peças vintage… salvação por causa dos super descontos camaradas.

E como foi o desfile?! Eu gostei. Realmente gostei. As roupas, os looks, o tom, estava tudo lindo. AH buscou inspiração em locais politicamente problemáticos, trazendo seu exercito particular.
 
Os vestidos (comprimento mini, midi) foram o ponto forte da coleção, mas gostei muito dos shorts e calças estilo fofoquinha – com aqueles elasticos que pegam. Babados e franzidos dão o tom da moda que é a cara de Alexandre, além dos botões enfileirados nos casacos, calças e macacões. 

Ponto para a estampa com predominância em verde; ou melhor, ponto para as três estampas. São lindas. 

Para usar já: a camisa de georgette estampada em verde, de manga comprida, com detalhes sob os ombros; o vestido mini, vermelho, com aplicações metalizadas; a calça em marrom, mais larga nos quadris e ajustada nos calcanhares. Linda. Sua coleção foi curtinha, mas me emocionou demais. 

Com poucas peças, Herchcovitch trás uma moda para fechar seus tempos de guerra. 
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20 junho 2008
Punk de Grife

Dessa vez, a Animale me pegou. Começou quente, com looks super atraentes em vermelho (a cor da paixão, ooops, consumismo). 


Não sei explicar o que estava acontecendo na parte de conceito; dizem que eram heroínas urbanas. Pra mim, a pegada punk dominou – nas tachas e nos apliques. Os xadrezes merecem atenção com o efeito degradê, que também aparece em tecidos lisos. Super tendência.

As peças não são nada simples, básicas, mas adorei ver isso. Acho que vai contra a corrente, e ganha muitos pontinhos já que o diferente (quando bem feito) vende. 

A Animale apresenta comprimentos mini e midi, bem acima dos joelhos. Nas calças, impera a modelagem sequinha. Para as blusas e tops, volumes próximos ao rosto. Muitas pochetes. Tendência!!!! (mas calma lá né… existem pochetes e pocheeeetes). Também aparecem coletes. Olha só, super recorrentes nessa SPFW.

Moda para mulher jovem, jovial. Não tem medo de ousar (ai que barango). Vai vender muuuittooo merecidamente. 
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