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04 maio 2010
Transparências

Brincar com transparência velada é receita de sensualidade fácil para toda e qualquer estação. Não que isso seja lá uma grande novidade nas passarelas e nas ruas, mas a forma com que a marca Graça Ottoni (GO) brincou com o truque durante o MTP fez gerar vontade de investir pesado em camisas, tops e vestidos de seda, sobrepondo não apenas tecidos mas também estampas delicadas ou recortes de cores que se complementam ao se integrar ao corpo.

É uma simples questão de mostrar sem revelar, instigar sem expor mais do que se deseja. A transparência possui a grande vantagem de poder manipular muito bem pequenas imperfeições da pele ou mesmo discretas gordurinhas que podem meramente desaparecer em pontos estratégicos. Um braço um pouco mais cheinho, por exemplo, ganha leveza ao ser coberto por uma camisa de tecido fino e claro que por baixo leva uma regata delicada que protege o corpo da nudez.

Para o bom funcionamento vale lembrar, sempre, de utilizar uma peça mais justa por baixo da peça superior, evitando agregar peso visual a silhueta. E não pense na limitação da transparência para peças superiores… em vestidos ou saias, trabalhados com a sobreposição, o jogo fica ainda mais interessante e elaborado – complicado e curioso como toda boa mulher tende a gostar.

As imagens são do Flirck do evento.

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03 maio 2010
A continuação do exagero

Quem espera um pouco mais de simplicidade para o futuro nada distante pode esquecer e continuar investindo em acessórios grandes, marcantes e dramáticos para a próxima estação. Se agora no inverno os colares agigantados foram os grandes atrativos no verão o tamanho extra grande aparecerá também nos braços.

Imagens do desfile coletivo (Kaleidoscope) com styling de Felipe Veloso.

Trata-se de uma boa dica para quem anda com medo de se jogar em tal tipo de complemento… com receio da tendência ser mera passageira – o que já foi descartado. Mas vale lembrar que como em toda temporada de calor as cores serão mais abertas, vibrantes e chocantes – quentes ao extremo, fugindo do preto total que reina agora em meio a tachas, rebites e ombros marcados.

Imagens do desfile de Claudia Maresguia.

E a atenção ficará, mesmo, por conta dos braceletes e pulseiras grandes usadas em sucessão, enfeitando braços plenamente expostos. Nos materiais mais diversos, do metal à madeira, muitas opções e alternativas que brincam com aplicações e interferências… com grande chance de texturas. Nada será simplório no verão e isso já é algo para se ter certeza.

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01 maio 2010
Um gabinete de curiosidades

Não há muito o que dizer sobre o desfile da Mary Design no Minas Trend Preview. O impacto fica por conta das imagens e dos mínimos detalhes. Uma pena não poder mostrar mais do que fotos, registros estáticos de um desfile que foi perfeitamente complementado pelo vídeo apresentado no painel de fundo e pela trilha sonora que muito contribuiu para a inserção do público ao grande gabinete de curiosidades.

Na sobreposição, nos volumes e na repetição exagerada o impacto necessário para uma passarela. Tudo tão repleto de informação que apenas um olhar mais profundo para perceber a delicadeza já conhecida das peças mínimas em metal. A falsa fragilidade, a vontade de ver de perto e tocar.

São peças para serem misturadas a um contexto moderno, ou mesmo trabalhadas em uma base neutra – assim como proposto pelo stylist. Coisas para namorar, namorar com os olhos e vestir a alma.

As fotos de backstage são do flirck do evento.

18 fevereiro 2010
Vendo… e aprendendo…

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Se algumas semanas de moda são palpáveis e geram possíveis sonhos de consumo outras são bem distantes para a grande maioria de reles mortais aos quais resta apenas namorar e observar as criações. Mas não é por estarmos fora da pequena parcela que consome de fato os grandes super nomes da moda que vamos simplesmente dar as costas a tudo o que acontece. Saiba que grandes marcas ditam tendências e referências que mais tarde, ou mesmo já agora, são copiadas, remodeladas ou adaptadas chegando às nossas prateleiras e araras bem antes do que imaginamos. É um ciclo natural que faz o exercício de olhar e gostar bem mais interessante…

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Da coleção de Diane von Furstenberg dá pra amar os comprimentos mini trabalhados como ponto focal da produção, colocando o quadril em voga através de texturas, estampas, sobreposições ou modelagens. Nas imagens percebe-se a diferença de efeito e impacto que cada uma das possibilidades gera, quase sempre jogando o preto na porção superior para equilibrar o peso visual. Os calçados de bico fino super alongam as pernas.

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Sobreposições sem medo de agregar volume, com o corpo quase todo coberto. Drapeados, texturas, babados conversam num mesmo look, construindo novas linhas e formas na silhueta. Tons neutros misturados para deixar a composição elegante, mas ainda assim interessante. A botinha curta com meia de tom igual disfarça o efeito de corte; já a meia contrastante gera resultado contrário – que pode ser útil, dependendo da silhueta.

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Alfaiataria em peças básicais, casuais, levando elegância para as mais variadas situações. Linhas e mais linhas na aplicação de acessórios, nas estampas e também nas construções das composições que parecem indicar exatamente para onde os olhares devem apontar.

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Novamente alfaiataria elaborada, bem construída, refinada na medida – longe de possíveis exageros ou da fatídica ostentação. Quadril entra em voga através do corte evasê dos casacos, exigindo cuidados. No corte a exemplificação perfeita do “levemente ajustado” que delineia as curvas da silhueta sem revelar possíveis volumes que acabam camuflados pela estrutura da peça aliada ao tecido sutilmente encorpado.

E assim vai a brincadeira, retirando inspiração dos mais simples detalhes. Treinar o olhar, aguçar os sentidos, tentar levar pro dia-a-dia ou pra costureira, vai saber algo de diferente do que tanto se vê multiplicado por ai.

As imagens em questão são todas do Style.com. Todos os desfiles são da Semana de Moda de NY ou Mercedes-Benz Fashion Week, wathever.

15 fevereiro 2010
Quando o inverno chegar…..

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Quando o inverno chegar as cores ficarão mais escuras, as texturas mais pesadas e as formas mais trabalhadas. Consequências naturais da estação que pede, sempre, um visual mais forte, dramático e profundo. Espere para o inverno 2010 uma clara continuação de tudo o que foi trabalhado durante o verão, com muitas referências restantes dos anos 80 caminhando para os anos 90. Sem regras, sem ordens claras ou obrigatórias a tendência, cada vez mais, é apresentada de forma variada e ampla, agradando as mais diversas consumidoras.

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Se destacam nas imagens dos desfiles de inverno, incluindo Fashion Rio e São Paulo Fashion Week, a forte presença de estampas que fazem a vez de textura ou mesmo o jogo contrário que só de perto revela sua real natureza. Do lurex aos trabalhos com leve conotação artesanal as aplicações agregam peso e volume a peças que mesmo em modelagens leves ganham força e impacto. As linhas são marcantes, aparentes, sem chegar a tocar a casa da geometria. Há, por fim, brilho acetinado combinado ao fosco.

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No jogo das cores o nude ou neutro ainda recebe atenção mas entram, com força, outras cores fortes e vibrantes como o vermelho, amarelo, azul e laranja – sendo que os últimos dois tons imperam junto ao preto sempre tão esperado. O que se vê, no entanto, é que o preto da vez aparece acompanhado de alguma outra cor forte, tirando a conotação séria ou mesmo minimalista que a cor pode gerar. Indo além têm-se repetidamente a combinação do azul e laranja, nos mais variados tons. Mistura agradável que brinca com o frio e o quente de um inverno que pede por looks cheios de informação.

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Mas se as temperaturas caem não quer dizer que todo o corpo deve estar completamente coberto. Pernas de fora ganham ainda mais força, principalmente quando trabalhadas junto a comprimentos alongados na porção superior. Saias, vestidos ou shorts mini ou midi dividem espaço com meia calça grossa, estampada ou mesmo as meias curtas/soquete – remetendo a menininhas nada inocentes. Sapatos pesados como ankle boots trabalhados em contrastes que dividem a silhueta em blocos marcantes fecham a composição.

Cintos delimitando a cintura, colares agigantados, coletes de comprimentos variados e as peças inspiradas no guarda-roupa masculino serão compras fáceis – sendo que as peças podem ser encontradas dentro do guarda-roupa de qualquer mulher. Muita alfaiataria desconstruída e sensualidade pouco óbvia, acreditando muito mais na atitude do que no corpo oferecidamente colocado a mostra. Um inverno que explora possibilidades variadas, daqueles repletos de boas possibilidades de investimentos muito além das tendências.

As fotos são do FFW e Chic.