Conversinha Fashion » Papo pra Homem
11 novembro 2014
Por uma rua com homens mais estilosos

É fácil perceber que enquanto as mulheres se entregam sem pestanejar aos modismos e as possibilidades do vestir, os homens relutam em tentar alguma coisa diferente ao pensar em roupas e acessórios. Por vezes, até mesmo fogem de uma mera camisa rosa ou de uma calça bege. O básico do básico – com um pé no desarrumado – que representa o visual da grande maioria dos caras brasileiros, traduz um conservadorismo e um medo da opinião alheia que já deveria ter sido superado há muito tempo.

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Basta ir além das fronteiras geográficas do país para enxergar que este medo de tentar um visual diferente é algo quase que inerente e exclusivo à grande maioria dos homens daqui – os made in Brasil. Os motivos são os mais diversos, e vão desde uma provinciana preocupação com a opinião alheia, uma insegurança quanto a uma possível avaliação sobre sua sexualidade (ahm?) e até mesmo algo que segue a linha de pensamento de que apenas as mulheres devem se produzir e aos homens resta, apenas, se manter superficialmente limpinho, considerando isso o suficiente.

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Não é uma regra ser estiloso, usar algo ousado, ter um visual moderno ou inusitado. Mas, sabe-se bem que não há, também, uma norma que obrigue todos os garotos a serem sempre iguais. Sempre sem graça. Sempre presos na bermuda desleixada. Na calça larga (não pela modelagem, mas sim pelo tamanho errado). No tênis de mola. E na blusa de malha jogada no corpo. Não é legal.

Também acredito que não deve partir apenas das namoradas, esposas e, até mesmo, das mães a vontade e o desejo de melhorar o visual de um homem. Isso deve ser algo que vem da própria pessoa. Afinal, por aí – salpicados na rua, quase que como achados que saltam aos olhos – existem sim homens que misturam cores, que vestem calças ajustadas com barras dobradas, que apostam em calçados inusitados (muito além do tênis) e que sabem da existência de acessórios. Existem homens vaidosos, que tem noção de que é legal manter o cabelo sempre bem cortado, que entendem que unhas limpas e arrumadas é pré-requisito e que usam estampas. Ainda bem!

Há de deixar de lado (logo) a ideia de que homem não se produz e tentar fazer algo diferente. Afinal, a roupa e a moda são formas de expressão que pede para ser explorada. Quando não é, restam mensagens incompletas ou mal estruturadas que deixam a sensação de homens sem graça e malcuidados.

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08 novembro 2010
Street Etiquette

São poucos os blogs de moda masculina e entre esses poucos um se destaca. Falo do Street Etiquette, dos amigos Joshua Kissi e Travis Gumbs. Com pegada do Bronx os colegas de colégio não economizam nas cores, brincam com referências vintage e ainda conseguem transmitir uma mensagem acessível e útil. Não vemos uma montação extrema, é mais uma leve ousadia nos detalhes.

Os garotos já fizeram muita coisa e sempre aparecem nas listas de blogs importantes e influentes do mundo da moda. Talvez esse sucesso se dê pela elaboração de uma imagem realmente masculina, saindo da zona de conforto tão facilmente dominada no universo dos homens. É raro encontrar um cara que consiga balancear elegância e masculinidade saindo do básico.

De tons vibrantes à pastel e neutros no Street Etiquette há um amplo leque de interferências. Alguns elementos são recorrentes, como as calças de barra dobrada e as pulseiras em sucessão. Charme ou detalhe do acaso o que chama mais atenção são as peças de caimento exato, sempre ajustadas à silhueta. Além disso alguns elementos por vezes esquecidos no guarda-roupa masculino apontam caminhos a se seguir… falo de coletes, calçados alternativos fora o tênis ou sapato social, ou mesmo os acessórios diretos como pulseiras e anéis.

Mistura de estampas, cores casadas ou mesmo um blazer com jeans parecem diferentes pelo cinto com textura ou pela meia colorida que acompanha o calçado. Nada super elaborado, são pequenos detalhes que lançam esperança para um futuro de homens com mais identidade e menos receio de sair dos padrões.

03 agosto 2010
Jeans justo o jeans largo?

Homens pensam em linhas diferentes quando o assunto é calça jeans. Enquanto uns gostam dos modelos justos, com elastano, outros sentem pavor daquela coisa apertada e apostam nos modelos retos e levemente soltos – isso sem contar os que só pensam nos jeans super agigantados – melhor nem comentar. Então que pensar no gosto pessoal é a chave para um resultado estético bom, mas vale analisar a coerência entre a relação estilo pessoal x silhueta x complementos.

A escolha por um jeans mais justo, ou mais larguinho, é particular então vamos para a importância de saber combinar os complementos pra que o visual fique harmonioso. É natural que alguém que goste de uma calça justa prefira também partes de cima mais ajustadas, o cuidado deve estar no look total grudadinho – principalmente para aqueles que não possuem silhueta magra e longa. Se a preferência é por um jeans um pouco mais largo pode-se esperar o desejo de partes superiores também afastadas, mas ai é que entra a necessidade de uma parte superior um pouco mais ajustada.

E se a negação por um jeans um pouco mais justo está no argumento de que “calça colada é calça de mulher” é hora de abrir a mente e perceber que uma modelo ajustado não necessariamente grudado como esses logo acima delineia o corpo do homem e envia uma mensagem de elegância e confiança. Já o jeans larguinho, despojado, tem também o seu grande charme mas não precisa ser enorme – principalmente na região de coxa e quadril. Por ai uma base da base, observando sempre que seja lá em qual caso for é importante observar muito o comprimento da barra que deve ser rente ou próximo ao solado, sem criar super dobras no comprimento.

30 junho 2010
Homem de Terno – A Compra

Que mulher não para (mesmo que por um segundo) só para olhar um homem de terno? Sabemos que até mesmo os menos providos de beleza natural acabam ganhando muitos pontos quando auxiliados por um belo corte com caimento impecável e tecido de alta qualidade. Da mesma forma que um terno faz o homem, o efeito contrário também pode acontecer. Dai a importância de se atentar aos mínimos detalhes… que podem também ser aplicados a alfaiataria feminina.

Um terno carece de ajustes, que devem ser feitos sob medida. Não existe a possibilidade de pensar em uma calça ou mesmo um blazer que não peça por um ajuste, mesmo que mínimo. Bainha, ajuste de cintura, comprimento de manga… nenhum corpo é padrão e nem o alfaiate mais eficiente é capaz de adivinhar quais as medidas de sua silhueta. Por isso paciência e disponibilidade ao encomendar ou mesmo comprar pronto o seu terno – você dificilmente num primeiro momento sai da loja com ele nos braços, só se houver uma costureira a postos lhe aguardando e sonhar não custa nada.

Ao comprar é preciso analisar um número grande de características no terno. Qual será a utilidade do mesmo? Será para trabalho? Social?! Além disso, qual a carência de seu guarda-roupa? Já está abastecido de um bom terno preto? Pule para outras cores neutras, como marinho, cinza escuro, cinza mais claro, bege fechado… Terno é investimento, sempre! Seja ele qual for… então merece um cuidado extra, num gasto maior que vai render muito no seu dia-a-dia e dentro do seu guarda-roupa.

Ao provar, atente-se aos detalhes. Não se faz prova de terno utilizando tênis ou, pior ainda, de pés descalços; faça uso de um calçado adequado, num modelo semelhante ao que for ser utilizado com o terno. Coloque uma camisa social de manga comprida e vá pra frente do espelho.

O que se prova primeiro é o paletó, que obrigatoriamente deve vestir bem os ombros. O mesmo precisa pousar no seu tronco, sem pesar ou cair… não existe ajuste que arrume a região alta da peça, entre gola, costura de cava e mangas que não devem torcer. Veja até mesmo problema de sobras de tecido na parte de trás da peça; se for o caso saiba que há provável erro de modelagem. Fuja!

Após encontrar modelo de paletó adequado pule para os detalhes. Sobre o paletó. Ajuste o comprimento da manga, que varia com relação ao seu corpo; o mesmo deve ser medido com braço dobrado, no qual a manga da camisa deve aparecer cerca de 1cm. A medida de comprimento de manga semelhante ao comprimento de paletó não deve ser aplicada… pois existem homens com braços mais ou menos compridos, dependendo de suas características pessoais; além disso o comprimento do paletó na linha do dedo polegar dobrado também é perigoso, pela questão de proporção de corpo. O adequado é um paletó que tenha a medida de meio corpo (fora cabeça). Para a calça a barra deve repousar sobre os pés, cobrindo uma parte do salto do sapato; o que nunca pode acontecer são meias aparecendo ou mesmo barras criando volumes ou dobras em cima dos pés; nos bolsos da calça veja se é possível colocar tranquilamente as mãos, sem sobrar ou repuxar; a região de cintura deve ficar realmente próxima a cintura, tenha você barriguinha ou não.

É só? Não. Antes de levar para casa seu terno confira o mesmo colocando nos bolsos todas as coisas que você costuma carregar – seja carteira, chave de carro, celular, pen-drive e afins. Essas coisas devem visualmente desaparecer. Sente, caminhe, abaixe, simule todos os movimentos possíveis e se olhe no espelho – em todos os ângulos que imaginar. Tudo perfeito? Está se achando? Pronto.

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25 junho 2010
Coisa de garoto…

Coisa de garoto, menino, homem (jovem ou não) é carregar pela vida uma certa vontade de ousar e sair do padrão, mas o receio de chocar ou mesmo as poucas possibilidades acabam bloqueando esse caminho de variações no qual a saída certeira cai no básico ou no comum – seja na mistura de jeans e camiseta ou na combinação de calça de alfaiataria com camisa neutra – em tons neutros e previsíveis. Pra piorar, em muitos os casos, a obrigatoriedade do terno formal impõem uma mistura fácil para o dia-a-dia, mas finais de semana ou mesmo eventos de lazer informais se tornam um convite ao desastre visual.

O que me parece é que falta um pouco mais de inspiração, principalmente para aqueles garotos/homens que não se enquadram diretamente num estilo ousado ou criativo; são pessoas bem informadas, antenadas, que gostam de experimentar e se sentem confiantes para tal… mas ainda assim a há uma certa limitação ou mesmo chateação nos comentários diretos ou indiretos daqueles que muitas vezes criticam ou desmerecem um toque interessante que gostariam eles de ter aplicado no próprio visual.

Não é preciso muito pra mudar o básico e geralmente o mínimo detalhe é o que dá o tom de sua individualidade. Uma mistura de estampas, um complemento inesperado, jogo de cores ou modelagem fora do padrão. Com o tempo aquele ponto inicialmente estranho passa a ser parte de você e nisso a ousadia ganha novos rumos, outras vontades.

O que combina com sua identidade? Um jogo de pulseiras com toque étnico, misturadas ao terno marinho extremamente alinhado e formal; uma mistura de cores alegres e vibrantes em peças básicas e confortáveis; a barra da calça sutilmente dobrada, criando uma imagem levemente despojada… um blazer de corte diferente, uma combinação inusitada entre os padrões da camisa e gravata… até mesmo a utilização de uma camisa de cor pouco comum (longe do azul claro e do branco) gera um efeito de novidade. Dai é preparar-se para atrair olhares… de cobiça (visual!) e admiração.

A primeira imagem é do ModeMan.

As emais são do Sartorialist.

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