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02 janeiro 2011
E na posse…

Muito titubiei antes de escrever esse post mas acho que opinião é um direito e um risco que se corre. Todos podemos gostar ou não gostar de algo, o que importa é ter justificativas. Pois bem, não gostei do look da presidente Dilma Rousseff durante sua posse – enquanto via pela televisão. Digo look porque para mim o problema não estava só na roupa, mas no visual geral. Maquiagem muito pesada para o dia, cabelo com uma mistura de cores um pouco marcada demais, acessórios inadequados ou exagerados que criaram uma repetição estranha entre forma, roupa e silhueta. Por fim, uma boa escolha de cor e temática trabalhada em tecido que deixava evidente sua silhueta nada elegante. A presidente Dilma deve saber que mais do que a questão do peso devemos cuidar de um ponto essencial do visual: a postura. Além do caráter estético da mesma há o ponto de saúde… lembrando que um lordose moderada pode vir a causar grande desconforto e dores. Vale lembrar que o que Dilma veste é o problema mais raso a ser encontrado durante todo esse caminho mas, ainda assim, sua imagem estará sendo dia após dia julgada por toda a população. Ah, ser mulher não é fácil.

No entanto, após assistir a transmissão pela televisão, vi pela internet as fotos da posse e tudo mais. Acontece que nas imagens sua maquiagem não ficou tão pesada e o desconforto causado pelos acessórios e textura do tecido foram amenizados por cortes e enquadramentos abertos que não ficavam limitados ao rosto da presidente. A crítica foi então uma falha minha? Acho que não porque já era fato que o momento seria registrado em imagem digital que revela cada mínimo detalhe da realidade; fato, ainda, que seu rosto seria bem enquadrado na câmera durante o longo discurso… por isso a importância de saber equilibrar as necessidades do momento – no caso o registro fotográfico padrão e a transmissão em HD.

No mais fiquei positivamente surpresa com o visual da senhora Marisa Letícia, achei quase elegante, claro e ainda assim requintado. Gostei também do visual da esposa do vice presidente, senhora Marcela, que estava ousada com o visual quase que dramático mas compensado pela boa altura do salto e a bonita trança lateral. Destaque, ainda, para a Ministra da Cultura Ana de Hollanda que reuniu bons elementos na construção de um visual leve, diferente e ainda assim dentro do contexto do momento.

Observações. A maquiagem da presidente Dilma pela televisão estava muito mais carregada do que aparece nas fotos, os olhos muito pretos e excesso de rímel… o tom do batom deixava os dentes mais marcados… não sei, algo assim. Já Marisa Letícia é o exemplo clássico do exagero nas plásticas e interferências estéticas… intervenção já!

12 outubro 2010
Concurso de beleza?!

Um assunto muito comentado nessas eleições tem sido a ausência de beleza dos presidenciáveis. Fala-se disso como se esse detalhe fosse um pré-requisito para o tal eleito, como num concurso de beleza que desclassifica os menos favorecidos pela natureza sem ao menos analisar outras capacidades. As críticas voam por todos os lados, dependendo de quem se deseja afetar. Parece que um porte atlético, um sorriso bonito e roupas impecáveis já não fizeram estrago suficiente a duas décadas atrás, enganando e seduzindo uma multidão de eleitores. Quanto mais tempo se passa, mais parece que a história deixa enfraquecer seus ensinamentos.

De toda forma, voltando para o ponto em questão, talvez o termo beleza esteja sendo utilizado de maneira precipitada, já que o que se vê basicamente é muito mais uma ausência de simpatia e carisma do que de traços bonitos em si. Seja como for, beleza ou simpatia, esse discurso ressalta algo que já sabemos mais que de cor… beleza é fundamental, ao menos a principio.

Não digo de forma alguma que isso seja certo ou normal, mas é uma questão cultural que nunca mudará. Por mais que os padrões de beleza se alterem de tempo em tempo sabe-se que é velha conhecida a valorização daqueles que estão dentro das linhas estéticas admiradas no período em questão – o que é super volátil. Desde que o mundo é mundo, pelo que se pode lembrar, os belos foram mais bem recebidos ao menos a principio, claro.

Não se trata de uma questão com pontos ou conclusões a serem apresentadas, pelo contrário. Fica a dúvida sobre a real utilidade da beleza em determinados campos nos quais nos vemos perigosamente envolvidos pelas questões da simpatia e do carisma. Trata-se de algo capcioso ao extremo, que induz ao erro ou a aceitação de ideias ou pensamentos ruins e/ou irreais. Para políticos a simpatia vem a ser uma arma muito eficiente, porém para a população esse talento pode ser letal.

03 agosto 2010
Saber onde, quando e como mudar

Se Dilma Rousseff cometeu alguns erros visuais no início da campanha, caracterizados pelo uso excessivo de babados e adornos, sua imagem parece ter encontrado caminho seguro e neutro com o passar do tempo. Indo além das mudanças visuais, talvez drásticas e exageradas ao extremo, uma imagem neutra e limpa serve hoje como base para suas aparições públicas. Adicione as interferências cirúrgicas um treino sagaz para sorrir e fotografar e pronto, tem-se uma candidata que convence no quesito flashs. Ah! Lembro ainda a facilidade para abraçar e se deixar abraçar… expontâneo, ou não, outros muitos deveriam entender que um candidato que se julga ‘do povo’ não pode querer envolver o eleitorado apenas tomando um mini cafézinho na lanchonete popular – esse truque velho já não cola mais.

Os muitos babados do início da campanha, acompanhados de cabelos cacheados e maquiagem pesada, causaram forte estranheza. Difícil pensar que uma referência como essa despertaria confiança e simpatia. O forte uso do roxo como cor base, por vezes em tecidos acetinados, e a vaidade exacerbada não combinavam com o contexto que pede por sinais que remetam a trabalho, força, esforço e ‘mãos na massa’. Falha solucionada e uma nova realidade construída.

Hoje a receita do guarda-roupa presidenciável de Dilma é bem simples. Conjuntos de blazer e calça seca em cores abertas ou clássicas, optando ora por vermelhos ‘PT’, ora por tons variados de verde água. Nada de azul passa por ali… mera coincidência?! Claro que não. Cores comunicam e devem ser bem exploradas. Cru, bege, ocre… cabelo mais seco, sem cachos, maquiagem leve e o mesmo sorriso de sempre.

Como resultado vemos que a evolução ou a solução para certos problemas visuais pode ser apresentada já após o início do processo de campanha, mas é importante saber poder nos locais certos e cortar rapidamente falhas. É preciso estar permanentemente atento, sabendo pra onde caminhar e como melhorar.

Aqui não se discute discurso verbal, escolhas políticas ou preferências no cenário eleitoral. Analisamos imagem, que pode e deve potencializar todas as qualidades de um grande político.

23 julho 2010
Falhas sutis, porém definitivas

Leva um tempo até você descobrir com clareza o que faz com que a imagem de uma pessoa fique apática e sem destaque. José Serra repete, campanha após campanha, um mesmo tipo de semblante morno e sem energia que sem sombra de dúvida lhe rouba votos. Simpatia é a alma da política, o canto para aqueles que votam superficialmente – cada um sabe o que faz. Sendo assim um visual triste, desanimado e apagado pode ser a destruição de um candidato.

Simplicidade que não funciona…

Elementos claros fazem de Serra um desses personagens políticos caracterizados por pouca simpatia e, além do pouco talento para estrela sua cartela de cores está errada. Ele lança mão dos tons clássicos do guarda-roupa masculino que não funcionam bem em seu tom de pele claro ao extremo. Seu rosto, já com aparente pouca circulação de sangue, some com os azuis acinzentados – que caem tão bem nos homens de pele morena – seja clara ou escura. A sensação é de um tom sobre tom fechado… ou um nude completo.

Um ensaio para um caminho mais adequado.

Além disso tem-se a questão do corte e caimento de suas roupas que não valorizam a silhueta mais larga na região do quadril, com ombros caídos e outros detalhes fáceis de perceber. Acontece que as roupas quase sempre largas e tortas, que não casam bem com seu corpo, passam uma sensação de desmazelamento que já muito prejudicou outros no passado. Jeans e camisa social com mangas arregaçadas podem gerar aproximação ao povo, mas funcionam bem em corpos bem talhados… talvez um corte alinhado, uma calça social ou uma camisa um pouco menos simplória, feita sob medida, poderia gerar efeito de mais impacto levando ao centro das atenções aquele que espera comandar a nação. Visual político não é receita de bolo, não pode ser aplicado de maneira igual a todos os candidatos… e para José Serra uma mudança, agora talvez já muito tardia, alteraria o rumo da história.

Por fim, o caso da gravata vermelha. O que pode ser pensado como elemento de conexão entre Serra e o atual presidente acaba não funcionando e é um truque, digamos, bem arriscado no cenário atual. Melhor seria o fortalecimento de sua própria identidade que não se estruturará sozinha, por feitos no passado ou por uma história vendida como envolvente.

Aqui não se discute discurso verbal, escolhas políticas ou preferências no cenário eleitoral. Analisamos imagem, que pode e deve potencializar todas as qualidades de um grande político.

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16 julho 2010
Aperfeiçoada, nunca inventada

Muito se fala sobre as transformações visuais, claramente visíveis, da candidata Dilma Rousseff. Porém é na candidata Marina Silva que está latente uma modificação menos drástica que tende a dar resultados mais interessantes – pela naturalidade com que isso parece ter acontecido. Longe de intervenções cirúrgicas ou variados tratamentos estéticos percebe-se uma alteração nos detalhes focando não na construção fabricada de uma elegível mas na lapidação de sua essência e estilo pessoal.

Pensando num passado não muito distante tinhamos uma Marina Silva de visual bastante pesado, fechado em tons neutros e profundos. Peças óbvias eram utilizadas sem pertencerem de fato a aquele tipo de personalidade. Terninho, blazer em risca-de-giz, preto e cinza pesavam ainda mais a imagem forte e carregada dos traços naturais da candidata, gerando um afastamento visual que pode dificultar o acesso do eleitor aos seus grandes e bem talhados discursos. A imagem serve como forma de prender ou segurar o espectador para o grande momento, o momento da fala, que é o que seduz os eleitores e engrandece o político.

Enfim, num outro momento bem mais recente (de campanha aberta e direta) temos uma Marina Silva mais suave e clara, que brinca com estampas e com peças clássicas em cortes alternativos e diferenciados. Seus acessórios étnicos de referência indígena ou tribal crescem e ganham espaço indicando sua ligação e intimidade com questões do povo e também da natureza – super pertinente e adequado. Nos tons neutros, ligados à terra, uma outra forma de intensificar sua mensagem que fica mais aberta e divertida. De repente é gostoso e interessante observar Marina Silva, que ainda pode e muito aprimorar sua força estética. Investir mais ainda em cores claras, brincar com complementos variados e evitar o visual produzido ao extremo pode ser a ideia certa para aquela que sempre será requisitada mundialmente para expor seus pensamentos e que, também por isso, não pode deixar sua imagem de lado.

Para uma grande mulher, já tão respeitada, não há de forma alguma a necessidade de cair para os caminhos da vaidade extrema enfeitada por cabelos soltos e maquiagem trabalhada. Vemos aqui a Marina Silva candidata, em momento de trabalho, e podemos imaginar que em sua vida pessoal há uma outra essência. Leio os cabelos presos e rosto limpo como um retrato de transparência onde toda a atenção se prende em seu conteúdo e não em adereços decorativos. Imagem aperfeiçoada, sim; inventada, não.

Aqui não se discute discurso verbal, escolhas políticas ou preferências no cenário eleitoral. Analisamos imagem, que pode e deve potencializar todas as qualidades de um grande político.