
Atrasada para falar e pensar sobre semanas de moda? Que nada! É daqui pra frente que, como consumidores, podemos começar a pensar nas tendências e, principalmente, no que será disponibilizado à nós nas lojas em alguns meses. Essa visão moderadamente antecipada é boa referência para alinhar as imagens já em tempo de liquidação (que já começam a aparecer, lentamente). Pois então. O que vimos na SPFW? Sem listas, sem regras, só imagens e suaves interpretações. Looks que considerei esteticamente bonitos e interessantes como investimento.

Tons claros, acinzentados, de acabamento acetinado nas passarelas de Herchcovitch. Com suas construções elaboradas vimos o comprimento logo acima dos joelhos, cintura marcada e construções femininas. Nos pés, o scarpin que já apareceu outras vezes e pega de volta, de vez, seu lugar. Lady, lady, lady.

Os tons acinzentados, e o brilho, estiveram presentes também na Animale, que jogou calças levemente amplas em contraste com peças superiores extremamente femininas e sensuais. É, é o tempo da feminilidade. Nos pés sandálias delicadas que em contraste com o scarpin fazem a função de um complemento mais sensual – e acabam conversando com o mesmo tipo de imagem, de forma geral. Super decotes em V valorizando quando todos os tipos de silhueta, finalizando também com a cintura marcada. Um arraso de parar quarteirão.

Um outro tipo de feminilidade, mais social, pôde ser vista no desfile da Cori. Construções extremamente interessantes e usáveis trabalhadas com sandálias de tiras mais grossas, algo que é a cara do verão de pegada moderna. Tudo de bom a jogada da saia encurtada com blazer, casaco ou camisa, podendo lembrar também a referência de tons acinzentados de fundo prata colorindo a coleção. Impecável e muito eficiente para despertar o desejo de compra.

Jeans no estilo e na construção. A Ellus soube jogar com um jeans jovial e ainda assim interessante, com tudo o que é sempre esperado da marca. Bons detalhes nos decotes e combinação de cores assumidamente quentes em tonalidades um pouco mais frias. É o verde e amarelo um pouco menos forte e puxado para o cinza.

Detalhes trabalhados na Maria Bonita, com formas alongadas e femininas na visão sempre despojada/elegante da marca. A prova de que é o tempo onde ressurge (das cinzas?) a delicadeza da mulher que ficou, por algum tempo, escondida por entre visuais de referência que que completamente masculina. Essa visão, claro, pensando no que estava mais fortemente em voga. Até o oxford aparece mais decliado, suave, quase que lembrando um scarpin sem salto. Aha!

Huis Clos repete o cinza, assim como quase todas as marcas que querem esfriar e suavizar o verão. Boa fluidez para peças de tom extremamente atual, uma boa opção para quem quer dar uma suave continuidade ao que já estava em voga como referência do esportivo ou masculino.

No que está a frente do tempo, e além do que se vê (sem exagero) Pedro Lourenço joga a ideia de uma feminilidade moderna e esperta, de um verão de mensagens subtendidas que pedem por interpretações. O corpo em evidência trabalhado com roupas que não guardam muito mistérios, mas ainda assim consegue agradar e encantar com a sutiliza de construções extremamente bem elaboradas e estampas diferentes das demais - que é difícil e raro.
Assim, vale investir para agora nos cinzas e nas peças de caráter feminino. Tudo isso será referência para o verão, numa visão extremamente superficial mas útil para a gente que gosta de viver a moda e não viver pela moda. Se as tendências estão aí, vamos interagir com elas sem a necessidade de se escravizar. Isso já está pra lá de demodê. Namorar imagens, gostar, interagir. Só assim vamos nos acostumando com o que está por vir - sem surtar na hora do vamos ver e querer comprar tudo por mera ansiedade e paixão pelo que é, teoricamente, novo.
Todas as fotos são do Charles Nasseh, ou seja, do CHIC.