Conversinha Fashion » 100 dias sem comprar
26 abril 2016
Desafio: 100 dias sem comprar

Não considero que tenho um problema com compras. Um vício. Mas, no entanto, sei que compro demais, ou melhor, mais do que o necessário. Gosto de comprar coisas para casa, para mim, para os outros, enfim, gosto da sensação do novo, ou mesmo daquela emoção ao realizar uma compra virtual e, depois, receber uma caixinha em casa… tenho fases melhores, ou piores, mais sei que não é algo legal.

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Quando comecei a pensar sobre isso, tomei algumas atitudes que considero radicais. Cortei o contato com muitos blogs de moda, canais de YouTube, e outras plataformas que alimentavam a minha vontade de gastar – as tais vitrines virtuais. Eliminei o que não trazia conteúdo, e só funcionava como janela para o consumo. E, também, busquei focar mais em conhecimento do que em outras coisas. Há tanto com o que aprender, por aí, de graça… ao custo do pequeno esforço de um clique.

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Por mais que eu tenha noção de que eu compro menos do que muita gente, eu sei que compro mais do que qualquer outra pessoa do meu pequeno círculo de amizades e relacionamentos. Bom, talvez não compre mais que todo mundo com quem me relaciono diretamente, mas sinto que estou alguns níveis acima do que gostaria. De tempos em tempos algumas experiências pelas quais passo me lembram do que realmente importa e é assim que quero viver, valorizando a experiência mais do que a posse em si. 

Foi num desses momentos que, ao desapegar de muito que tenho (e guardo), vi o tanto, real, que guardava. Mesmo depois de limpar o guarda-roupa algumas vezes, sobrou bastante… mesmo depois de vender outras coisas tantas, ainda havia mais do que o básico… e pra que isso tudo? Acabei percebendo que tenho um ciclo de comprar/desapegar/comprar/desapegar que é puro desperdício! Não só de dinheiro… Então. Que vazio é esse que tenho tentado preencher com compras? Não há nada faltando na minha vida. Foi aí que pirei, rapidamente, e acordei.

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Toda essa conversa para dizer que, por algumas razões, decidi realizar um 100 Day No-Buy – como é chamado (também é chamado de ‘spending ban’ – uma proibição de gastos). Nada mais é que 100 dias sem comprar. Sem comprar nada! Esse processo, já realizado por muita gente, pode ser feito em estilos variados. Há quem fique sem comprar itens de moda, outros sem comprar cosméticos, e por aí vai. Eu quero ficar sem comprar nadica de nada! Recentemente tenho gastado muito com coisas para casa e, por mais que ainda precise de muita coisa, sei que tenho mais do que o necessário para sobreviver.

Eu poderia fazer um “1 ano sem Zara”, mas seria pouco demais. Já me afastei da Zara, meu grande vício. Poderia, também, ficar “1 ano sem doce”. Mas, não quero me punir por nada. Por que então faria isso? Pensei em uma temporada sem compras no crédito, mas de que adiantaria? Eu simplesmente surtaria no débito. O choque precisa ser radical, mas com significado.

Bom. Estabeleci minhas regras para o meu “100 dias sem compras”. Quero me comprometer.

  • Não vou comprar nada durante 100 dias. Ou, melhor, entre os dias 27 de abril e 5 de agosto!
  • Pretendo vigiar a alimentação: cortar gastos com fast food
  • Posso comprar apenas itens de primeira necessidade: alimentação e/ou saúde

 

No meu projeto eu cortei o fast food por ser um gasto que considero desnecessário e preguiçoso, quase uma rota de fuga. Digo isso porque o valor que aplico em lanches rápidos (e fáceis) de shopping pode ser muito bem investido em compras de supermercado, ou mesmo comidas menos industrializadas. O processo de algumas redes, aliás, me incomoda… me incomoda o sistema de horários e, até mesmo, situações que já presenciei, como funcionários tendo a permissão para usar o banheiro negada, por não ser a hora do intervalo. Enfim, não quero entregar o meu dinheiro para esse tipo de empresa  assim como pensei sobre algumas redes de fast fashion e outras lojas sonegadoras de impostos. E, mais do que isso, quero tentar não descontar a carência com as compras em comidas. Sei que será uma luta de emoções e preciso estar com a cabeça boa para chegar ao fim.

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Por trabalhar diretamente com moda estou sempre perto da possibilidade da compra. Não há como fugir das tentações, nem se eu quisesse. São oportunidades “imperdíveis” que aparecem a todo o momento e, por alguma razão, quando queremos nós nos convencemos de que precisamos disso, ou daquilo. O que deixa tudo mais legal. Se eu conseguir chegar ao fim sem falhar será uma prova, pra mim, de que deu tudo certo. Uma prova da minha força de vontade. E, talvez, eu aprenda algo de vez. Sem deixar de citar a questão da economia…

Será um grande desafio. Porém é uma coisa muito pequena entre as dificuldades que enfrentamos na vida. Bom, me desejem sorte. Aos poucos vou atualizando aqui, ou no meu canal do YouTube, sobre o processo.