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04 abril 2016
Vídeo: Diário de um desapego – novos cabides, menos roupas

Por motivo de cabides novos, precisei reorganizar o guarda-roupa. O meu próprio. O que, pra mim, é profissão também é diversão. Curto e faço com gosto cada organização no armário, sempre acompanhada de um bom processo de desapego. Não há como mexer em cabides, trocar roupas de lugar, sem encontrar algumas (ou muitas) peças que estão esquecidas, ou encostadas. Algumas vezes a descoberta agrada, serve de lembrança sobre o que pode render bons looks. Outras vezes desperta a vontade de se ver livre, logo, do que está ali. Porque já não cabe, porque não bate com o momento atual ou, apenas, porque cansou.

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Amadurecer é doloroso. Mudar é doloroso. Mas nada é tão doloroso quanto ficar preso em algum lugar ao qual você não pertence.

Desapegar é abrir espaço físico e mental para o novo, para o que é útil. E não apenas para o novo, no sentido de mais aquisições. Mas, principalmente, ao que pode render ideias frescas.

Trocar os cabides de plástico, já tradicionais no meu guarda-roupa, pelos de veludo foi a cereja no bolo para um guarda-roupa limpo. E, enfim, bem alinhado. O desapego foi tanto que sobraram cabides. E restaram possibilidades para um novo momento. Mesmo que este seja acompanhado, provavelmente, por novas etapas do processo de “ficar livre”. Abrir mão.

A cada ano que passa percebo como menos pode ser, sim, mais – muito mais! E o prazer que há em repetir roupas é inigualável. Ter peças boas e interessantes, mais do que muitas peças que já não agradam, entrega uma sensação de vitória. O que motiva o desapego, que faz com que fique apenas o que é bom (ou muito bom) é pensar que outras pessoas poderão ser felizes com o que já não atrai. Visualizar alguém satisfeito com o que não me traz nenhum retorno é muito positivo. Pensa…

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O que poderíamos ser se parássemos de carregar o que restou do que eramos.

E, nossas roupas, como boas fontes de lembrança e memória, algumas vezes carregam uma energia negativa. Neste caso, o desapego é amplo… é, também, emocional. Faz com que uma fase da vida seja superada, entre páginas completamente viradas. 

Acho que vivo um constante processo de Consultoria de Estilo. Como se eu fosse, de alguma forma, alguém em fase de treinamento, colocando em prática o que prego para garantir que pode, sim, funcionar. Assim, como o que desejo que aconteça com minhas clientes, vou mudando (como acontece com a vida) e adaptando as mensagens com as quais me comunico com o mundo, por meio de tecidos e texturas que uso para cobrir e adornar a minha nudez. Com cada vez menos, numa busca por qualidade, focando mais no produto do que na marca em si, faço minhas escolhas. Até o próximo desapego com novas observações.

Amanda M.

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