Conversinha Fashion » 2015 » agosto
17 agosto 2015
Qual o preço da felicidade?

É incrível como precisamos escutar uma coisa várias vezes para que ela comece a fazer sentido… não é tudo que conseguimos assimilar no primeiro instante, principalmente quando é algo que bate de frente com princípios e ideias que respiramos no nosso dia a dia e que estão enraizadas em nossa sociedade.

Por que digo isso? Vamos lá…

MM-Happy

Não é preciso viver o dia a dia dos blogs de moda para saber que experimentamos um tempo de pleno consumismo. Mas tal universo tem uma propensão extra para tal… nele, tudo é potencializado. Multiplicado. Para não dizer, exagerado. Principalmente se somado ao tempo da curiosidade e do olhar aguçado sob o comportamento das pessoas que se expõem, como em reality shows, e mostram tudo e mais um pouco sobre suas vidas… abrindo a intimidade em troca de cliques e jogando fora a privacidade para manter-se desejável e atual (na guerra do quem mostra e rende mais, nem mesmo os familiares são poupados).

O assunto abre o leque para intermináveis análises e discussões, mas uma questão salta ao olhar. A de que meninas que começaram seus caminhos nos looks do dia, e passaram para as dicas de maquiagem, comportamento, estilo de vida, decoração, maternidade, culinária, tudo o que se pode pensar (e interessar), estarem sendo utilizadas como trampolim para marcas e grandes empresas. Estas encontram em bloggers e vloggers uma fonte lucrativa – e nem sempre tão custosa – de se mostrar e faturar. Em troca de presentes ou contratos pouco rechonchudos (se comparados aos valores cobrados por celebridades globais, ou mesmo modelos de primeira linha) estabelecem um contato direto com o público alvo dos produtos anunciados e são, mais do que nunca, a cereja do bolo. Tudo o que o momento pede… mesmo com prazo de validade, assim como todas as outras tendências da comunicação.

Rentáveis e desejáveis, conseguem vender o que postam em um clique e duas frases… e fazem com que meninas de todas as idades raspem a conta bancária ou estourem o limite do cartão de crédito para ter o que nem mesmo precisam… ou sonhar com uma vida que sequer faz tanto sentido. O poder de quem desperta o desejo do consumo é explosivo, mas vazio de sentido. Vide os vídeos de recebidos do mês que aguçam o desejo de compra em centenas de milhares de garotas e são os mais assistidos nos canais do YouTube dessas vloggers, assim como os que mostram as compras das blogueiras… saber com o que gastaram dinheiro, onde compraram, quanto custou e sofrer por não poder fazer igual é uns dos males da década.

Ao mesmo tempo, em contrapartida, documentários que invadem o Netflix, como “Happy”, de Roko Belic, e “I Am”, de Tom Shadyac, trabalham com ideias totalmente opostas e mostram por A + B os motivos pelos quais a felicidade não está 100% ligada à riqueza. Não está no ter. No comprar. No colecionar coisas. É claro que ter recursos financeiros para se manter (adquirir o básico do básico, coisas como moradia, comida, mínimo conforto e algum lazer) é essencial… mas, muito mais do que isso, o excesso, não é regra que traduz diretamente que a felicidade será multiplicada. Ou seja, o que já se percebeu é que ter muito não significa ser muito mais feliz! Se já sabemos disso, e experimentamos isso no nosso dia a dia, por que continuamos querendo ter mais e mais? Por que tantas ainda sofrem e se mordem de inveja por caixas de presentes ou compras que lotam mesas e salas em vídeos superproduzidos, mas que nada mais são que pedidos de inserção, sob o pretexto de agrados? Uma realidade já vivenciada pela imprensa há tanto tempo, que já faz parte de vários outros segmentos mas só agora ganhou o status de algo legal, divertido, que te faz ser popular.

Não seria a hora de dar as costas para tudo o que nos escraviza e buscar experiências capazes de nos entregar prazeres que vão além dos bens materiais? Deixar de lado frivolidades e admirar o real conteúdo, aquele que acrescenta algo e não o que, indiretamente, machuca e fere… que é uma propaganda velada que tem muito mais efeito do que um comercial transmitido no intervalo da novela.

Ao contemplar a nossa felicidade, observar nos mínimos detalhes o que faz com que a gente se sinta pleno e em paz, vamos descobrindo alegria e satisfação em coisas pequenas e simples… como a companhia das pessoas ou animais que amamos, uma paisagem bonita, se deliciar com uma comida gostosa, a prática de esportes… coisas que, claro, vão sempre variar de pessoa para pessoa, mas são o que fazem a vida valer a pena. Não é a experiência de abrir caixas, receber presentes, que fica eternizada na memória… salvo excessões como a aquisição de um imóvel muito sonhado ou a compra de um bem muito desejado (cada um sabe dos seus desejos), as compras fruto do consumismo se transformam em estorvo e dívida e viram uma tormenta. São contas, parcelas, saldo negativo e cheque especial… motivado por qual desejo? Pelo desejo de ser igual a menina blogueira que lhe diz ser feliz no Snapchat ou o tal do digital influencer que a pura existência faz dele uma referência soberana a ser seguida? Seriam eles os deuses da era digital? Eu não vou dizer amém.

Vale lembrar, sempre, que coisas são e sempre serão apenas coisas! Nunca irão preencher vazios que existem em nós… Realizar uma compra, ou várias compras, com a expectativa de suprir carências é tão raso quanto achar que a riqueza traz felicidade. O dinheiro pode sim trazer tranquilidade, mas a paz financeira será a mesma com o suficiente ou dez vezes mais do que isso. E para isso eu digo amém.

09 agosto 2015
Cada qual com suas responsabilidades

Faça agora, compre isso, resolva aquilo. O imperativo nunca esteve tão em voga. Aparentemente, somos a geração que delega, mas que é incapaz de agir por si própria. Mandar, ordenar, pedir, são atitudes que por uma razão ou outra sobressaem a pronta-ação. Tomar a iniciativa caiu em desuso. Ficamos mimados. Somos mal acostumados. Queremos tudo nas mãos… dos serviços mais básicos de casa ao mero ato de estacionar o carro, fazer comida, cuidar do visual… Tudo recebeu um preço, para tudo há uma saída. Para quem pode pagar, ótimo. A sensação é de “eu posso”. Para quem não pode, a mania eterna de tentar reunir seus escravos modernos…

Para as mulheres, os encargos pesam em dobro. De maneira velada carregamos o peso da limpeza da casa, do cuidado com os filhos, das compras do supermercado, somado também ao trabalho externo e às muitas cobranças vindas de uma geração de garotas que (em boa parte) querem direitos e deveres iguais. E sabem como isso pode ser bem difícil.

progress

Assumir a responsabilidade por cada ato, tarefa, ação, ou mesmo por cada problema, por cada coisa que não dá certo ou que não funciona, para muitos não é uma possibilidade… mas precisa ser! Fica a tal história de “o outro tem culpa”, quando somos nós que deveríamos levar nas costas, em uma mochila que nem precisaria pesar tanto, a carga relativa a nossa conduta. Selecionar melhor o que fazer, o que deixar, o que passar para amanha, ou depois, ajuda a desempenhar melhor as funções do dia a dia. E os erros que podem acontecer são normais. Seja ao quebrar um copo ou ter que refazer uma baliza.Tais falhas que fiquem para trás e que deixem espaço aberto para novas experiências. Ser capaz de cuidar da própria vida inclui muitas outras coisas, mais que as escolhas do tipo o que comprar, ou o que comer. A plena independência, ou algo próximo dela, é bem mais complexa do que se percebe no primeiro momento. Mas tudo bem. Com a mente aberta, conseguimos. Afinal, somos um trabalho em andamento.

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07 agosto 2015
Se eu pudesse…

Se eu pudesse, eu começava de novo. Me reinventada. Jogava tudo para o alto. Quase tudo. Reservava mais tempo para mim, menos tempo para os outros, por mais que por isso eu fosse julgada, por mais que o julgamento viesse, pra começar, de mim mesma.

Se eu pudesse eu largava tudo pra lá. Mudava de cidade, de carro, de corte de cabelo. Comprava uma batedeira de cada cor, trocava as contas do mês por uma bolsa cara, só pra ter certeza de que nada disso pra mim importa. Radicalizava até mesmo com a conta bancária. Pegava um empréstimo, esgotava o limite dos cartões de crédito, comprava uma passagem, viajava sem reserva e sem moeda, ia sem ter onde ficar.

abacaxi

Pedia menos desculpas, desligava mais o telefone na cara, me atrevia a ser estúpida – sem voltar atrás. Falava umas verdades e se essas não fossem suficientes, falava duas ou três mais. Procuraria amigos da antiga, reatava amizade, desculparia de fato quem eu fingi desculpar. Pegaria as roupas prediletas e doaria para quem precisa. Doaria, aliás, não apenas as que não fazem mais parte do meu estilo, do meu jeito, que não cabem no armário… doaria tudo! Pararia de sonhar em ser uma tal de nômade digital e faria isso já! É tão possível, mas por que não é?!

Se eu pudesse, eu fazia tudo isso agora! Mas eu não posso, não consigo, por mais que queira. Como eu queria… Se eu pudesse… Será que eu posso?

06 agosto 2015
Uma nova brecha para fazer acontecer

Insisto em acreditar que os sonhos funcionam como sinais. São um misto entre corpo e mente entrando em sintonia, falando sobre o que precisamos escutar, mas que por um motivo ou outro não damos ouvido ou nem mesmo temos tempo para tal.

dream

Acabamos sufocados pela correria do tempo. Aliás, perdemos muito do tempo da escuta, o tempo da reflexão, o tempo de analisar o que queremos e precisamos para nós. Deixamos passar os instantes que são mais importantes, distraídos com telas e teclas que viciam e nos levam para um mundo paralelo – virtual – que, na verdade, pode esperar enquanto a vida, em si, passa. Assim, essa voz que aparece nos momentos mais improváveis mostra-se muito importante e merece ser avaliada, muito além dos livros que traduzem possíveis significados ocultos em cada símbolo ou ação.

Se um sonho conta algo, vale correr para guardar o recado dado, o sinal transmitido, aquilo que lhe foi falado – como se fosse uma segunda chance ou uma segunda voz, a do inconsciente que diz que aquilo ali tem valor. Como verdade de um tempo, este sonho pode funcionar como um suspiro breve remetendo à algo que não se materializou em pensamentos no momento que deveria ter sido reservado para tal. Daí, sem dizer o por que, a vida trata de apresentar algo… uma ideia… uma lembrança… como uma nova brecha para fazer acontecer.

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