Conversinha Fashion » 2015 » julho
05 julho 2015
Os sentidos do vestir: um não as regras

Já faz algum tempo, deixei de me importar com as regras que movem a moda . Isso aconteceu quando percebi que quem usa é bem mais importante do que todo o resto… E, claro, o motivo pelo qual nos vestimos não é o que pesa mais: o que vale é a motivação ou a emoção existente em cada escolha para adornar e/ou cobrir a nudez. Muito além das dicas de especialistas estão pessoas, histórias, costumes e sentimentos. São hábitos – muitas vezes antigos e já arraigados – que não devem ser simplesmente quebrados. Afinal, pensar roupa (pensar imagem) é pensar em autoestima e confiança; mexer com isso não é nada banal. A busca por indicadores positivos nessas questões e em outras é o que leva à procura de mais informações sobre o vestir… o que recorrentemente não é assimilado de maneira adequada durante o amadurecimento. Isso leva a uma percepção negativa quanto a imagem, o que afeta automaticamente todas as outras esferas da vida.

fridinha

É muito difícil encarar desafios e encher-se de coragem quando o visual incomoda. É muito difícil acreditar que tudo vai dar certo quando a capa não está legal. Mas, para alinhar o visual, não é preciso esvaziar bolsos e a conta do banco… mesmo porque não é isso que vai resolver o problema (looks prontos, produções pré-estabelecidas, coisas que curam superficialmente, mas duram menos que algumas semanas). A questão se resolve com uma ampla e profunda avaliação dos motivos pelos quais alguém não se sente bem com a sua imagem. É preciso se abrir. Se abrir para o mundo – para o novo – e para você mesmo. Permitir que erros aconteçam ao realizar escolhas equivocadas… ou arriscar com formas e cores diferentes (que você muitas vezes não gosta por motivos que ficaram no passado, por vezes esquecidos).

Sabe as tais regras, as listas, as dicas de especialista, elas são apenas um norte, mas o que há de mais precioso na busca pela transformação é a vontade de recomeçar. É um desejo de abrir não somente as portas do guarda-roupa, mas as portas da alma. Aceitar-se com as suas imperfeições. Entender que as tendências, em geral, são apenas coisas inventadas para fazer com que a gente compre cada vez mais – e esse ciclo, te garanto, nunca acaba. Colocar-se como uma prioridade, mesmo quando existem outras na sua vida… isso é significativo! Dar valor ao que lhe motiva. E pegar essas coisas, sejam amores, projetos ou a vaidade, para voltar a se gostar em frente ao espelho. Fazer as pazes com o guarda-roupa é um caminho que começa dentro de cada um. Tudo o que vale, nesse ciclo, é o que se sente… ao desapegar, ao voltar a se respeitar, ao se entender e parar de lutar com a moda, colocando na mente que as roupas são meios, são ferramentas, que podem ser moldadas dentro do seu estilo para lhe servir. Nunca o contrário. Quando passamos a nos enxergar como mais importantes que as roupas, entendemos o sentido apaixonante do vestir. Sua capacidade de trazer memórias e de potencializar aquilo que podemos ser.

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