Conversinha Fashion » 2015 » janeiro
23 janeiro 2015
Cabelos cacheados, escolhas e aceitação

Não vou negar. Minhas referências de beleza na adolescência passavam longe do padrão no qual eu mesma me encaixava. Entre as características estavam, claro, os fios de cabelo longos e lisos. Na minha mente estes ficavam bem de todas as formas! Presos, soltos, jogados de lado, amarrados ou em coque… algo que realmente me intrigava. Como poderia ser justo alguém chegar à aula com o cabelo molhado e, em pouco tempo, estar com o mesmo impecável?! Tudo isso enquanto eu me via no espelho totalmente diferente daquela imagem e não conseguia me achar bonita com o cabelo encaracolado e, claro, cheio de frizz. O resultado era de decepção total e permanente por ser tão diferente do que eu sonhava ser. Uma coisa pequena que no ambiente, por vezes, torturante do colégio, gera os seus estragos.

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Após muitos e muitos anos de luta contra os cachos, me deparei com a tal escova progressiva, pouco depois batizada de escova inteligente. Claro que, pra mim, foi uma revolução! Dos fios longos, aos curtos; dos cachos, ao liso, toda uma história de transformação que, hoje, apesar da satisfação com a conquista do “cabelo dos sonhos” faz com que eu sinta saudade do meu cabelo cacheado como ele um dia foi. Fico pensando em como, talvez, seria mais legal ter os fios naturais e sem tanta química… mesmo porque eu tinha cachos lindos e bem definidos (modéstia à parte).

Então a Dove me aparece com essa campanha e traz a tona a estatística de que apenas quatro de 10 meninas com cabelos cacheados consideram os mesmos bonitos. Ou seja, 60% das garotas que tem cabelos anelados sentem-se como eu me sentia! Insatisfeitas e inadequadas. Os depoimentos são de cortar o coração. Pensando nisso, a marca lembra a importância de ter em casa uma referência que valoriza a beleza natural e, buscando uma mudança na forma de enxergar as coisas, propõe uma celebração aos próprios cachos! É fofo!! Por mais que não seja um movimento inovador ele é extremamente necessário. Muito mais vindo de uma marca de produtos de beleza, e algo focado em garotas que ainda podem mudar a sua maneira de pensar.

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A ação lembra a força que as nossas escolhas, digamos, estéticas podem ter na nossa relação com os nossos filhos. Ainda não sou mãe, mas não consigo me imaginar criando uma menina e fazendo com que ela, desde cedo, alise os seus cabelos. Jamais! Nem perto disso… E, também, não quero que ela enfrente a insegurança que eu enfrentei, principalmente sendo algo que gera tanto stress em uma fase que não deve ser carregada de tais tipos de sentimentos. Será que estou sendo muito dramática?! Talvez. Enfim, cachos são legais… quero os meus de volta!

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17 janeiro 2015
This girl can: a gente pode

A onda fitness cada vez mais mostra sua força, como uma ode ao bem-estar e a um estilo de vida saudável. Porém, todos já mais do que sabem da importância da prática de exercícios e de uma alimentação balanceada para garantir uma vida saudável. O desafio, no entanto, aparece entre um ponto e outro do esquema e a equação simplesmente não fecha. Há uma barreira entre as mulheres e as atividades físicas literalmente colocados em prática.

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Se por um lado a aceitação do corpo fora dos padrões atuais dificulta a inserção do sexo feminino em um ambiente repleto de silhuetas modeladas, como é o caso das academias e dos circuitos pré-determinados para se exercitar, há o fato de que a disseminação de fotos e imagens maravilhosas de musas fitness potencializa tal efeito. Cria-se a impressão de que apenas aqueles seres absurdamente sarados e torneados conseguem se sair bem vestindo roupas colantes que revelam cada curva e que, também, apenas tais conseguem realizar em alto nível (diga-se de passagem, bem) tais atividades. Neste mundo de perfeitos, ativos, sempre animados e determinados (onde motivação é o que não falta) o que difere, como sempre, sente até mesmo medo de tentar.

Foi pensando nisso e que a Sport England, órgão ligado ao Ministério de Cultura, Mídia e Esporte da Inglaterra, criou uma campanha que mostra mulheres reais (gente como a gente) literalmente suando a camisa e se jogando no mexa-se seja como for. Tudo para celebrar essas mulheres ativas que provam que não existem motivos para deixar de fora da vida a prática de exercícios, sendo que a questão é escolher o que torna tal mais divertido e envolvente. A ação deixa de lado as modeletes, as musas, e as meninas lindas e jovens que aparecem nos comerciais das marcas de acessórios esportivos e de antitranspirantes e foca em mulheres comuns.

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A campanha, além disso, não esconde aquelas barreiras que amedrontam as mulheres comuns… detalhes como celulites aparentes, gordurinhas balançando em meio a movimentos mais intensos e/ou mesmo a inicial dificuldade para seguir as metas estabelecidas. Talvez por isso o sucesso da mesma e a identificação do seu público-alvo tenha sido tão imediato.

Pela primeira vez em muito tempo foi possível perceber uma abordagem verdadeira, crua e nua, que realmente inspira. Muito longe da perfeição, o vídeo em uma ação de empoderamento motiva e coloca em foco a importância do resgate da realidade em um momento no qual há um nuvem muito forte e assustadora de perfeição que simplesmente não bate com a realidade. 

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Basta um olhar superficial para perceber o quão longe da realidade estão essas jovens mulheres que inundam o Instagram com seus corpos esculturais. Eles são um estímulo?! Sim, talvez. Mas atingem uma fatia muito insignificante da população… sem contar o dano psicológico que tudo isso vem causando, principalmente nas garotas que já carregam algum tipo de tendência a desenvolver distúrbios alimentares ou de comportamento, da anorexia à vigorexia.

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Assim, da próxima vez que você se sentir muito fora de forma para ir à academia ou achar que não pode se exercitar por não estar no nível Pugliesi de magreza lembre-se de que somos nós, as mulheres reais, que somos a maioria. Nós somos a regra. Podemos ser ótimas correndo, dançando, pulando, nadando, pedalando, seja como for. Ninguém (muito menos nós mesmas e a nossa busca por perfeição) pode tirar da gente a sensação plena de fazer um exercício. Escolhas certas (leia-se optar pela academia mais adequada, pela atividade mais legal) e referências saudáveis farão toda a diferença. É só disso que precisamos. O possível julgamento? Deixe pra lá.

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08 janeiro 2015
Pantone avisa: Marsala é a cor de 2015

A Pantone revelou no fim de 2014 qual será a cor de 2015. Ela foi batizada de Marsala e é um vinho bem fechado, que por vezes lembra um marrom ou um vermelho. A cor, como tradicionalmente acontece, aparecerá como referência não apenas na moda, mas também no universo da beleza.

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É uma cor muito versátil e apesar de dramática, fácil de usar e combinar. Uma das escolhas passa pelo look monocromático, com direito a acessórios em tons neutros como o nude. Aliás, esse nude/bege completa muito bem a cor Marsala… vide os exemplos apresentados.

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Outra alternativa é contrastar misturando com tons da mesma casa do vinho, como o amarelo ou mesmo um salmão clarinho. A alternativa já fica mais moderninha e descontraída, perfeita para o verão – pra usar já!

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Por ser uma cor muito elegante e requintada, ela tem um jeitinho de noite, festa ou mesmo uma pegada um pouco mais inverno, afinal estamos bem acostumadas a ver tons de vinho, bonina e vermelho fechado quando as temperaturas caem. Mas, combinado com branco a cor exala feminilidade. Na maquiagem, por sua vez, tem tudo para fazer muito sucesso, principalmente passando pelos esmaltes e batons. Se a Pantone disse, pode ter certeza que vai dar Marsala.

 

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06 janeiro 2015
Ir, se inspirar e se reinventar

Cada viagem é uma nova oportunidade para se reinventar. Diferentes culturas inspiram e tocam de formas bem peculiares. Aliás, é bem assim que nos envolvemos com looks de moda de rua vindos de todos os cantos do mundo, que registram não apenas formas de combinar e compor tecidos e modelagens, mas também maneiras de encarar a vida – com mais, ou menos, seriedade. E assim, nada mais natural que se envolver com as referências de um determinado local que mostra novas possibilidades a partir do que é diferente. Mesmo porque um ambiente diferente limita as chances de julgamento por carregar o afastamento da realidade que já vem cheia de conhecidos sempre à postos para tudo criticar.

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Se vestir para um dia de passeio, em um lugar novo, é, antes de tudo, se vestir com muito mais liberdade. Ao dar espaço para o lazer, mesmo que pensando no conforto e na comodidade necessáros para possíveis caminhadas e duradouros momentos longe do hotel, há aquela vontade de pertencer ou de se destacar. Tudo isso permite uma ação que acrescenta muito! O tentar algo inédito! Um mix que surpreende, uma composição que encanta, um jogo que mistura coisas que antes pareciam fazer tanto sentido, mas se completam superbem. Naturalmente, tudo parece dar certo quando há disposição para sair da zona de conforto e abraçar o desconhecido. Assim, um olhar que capta referências de moda com a cabeça aberta é muito capaz de mostrar um resultado legal e com segurança.

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No mais, uma mala de viagens bem elaborada, com poucas peças que conversam entre si, é um convite a ousadia. Porque se faz necessário, mais ora, menos ora, fazer um mix diferente daquele usado no dia a dia. Fora do básico, são inseridas aquelas novas compras que podem – e devem – ter uma pitada da cultura local. Por fim, o resultado que tanto acrescenta é levado para a vida normal e, assim, sobram motivos para tentar se manter motivado no restante do tempo, até que o próximo destino faça os seus convites e manifeste as suas apostas.

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