Conversinha Fashion » 2014 » novembro
19 novembro 2014
Normcore: a anti-tendência

Cansada das tendências, do consumo excessivo e da correira atrás dos modismos?! Pois então. Quem curte praticidade e conforto e não foca no que “tá usando” acaba de entrar na moda com a onda do normcore. Tal referência tem sido considerada a anti-tendência na qual a ostentação e cede lugar a uma pegada mais pé no chão, vinda diretamente da moda de rua.

normcore_1

Acima de tudo está um padrão que vem diretamente dos anos 90, com direito a muito jeans, camisetas, tênis, moletom e modelagens mais larguinhas bem despretensiosas.

normcore_2

Bolsas caras, acessórios agigantados, saltos vertiginosos e decotes profundos dão espaço a uma moda muito descolada, com direito a mochila, peças de tricô e roupas que, muitas vezes, saíram diretamente da seção esportiva das lojas. Mas isso não significa que o resultado precisa ficar sem graça, largado ou mal arrumado… muito pelo contrário. É possível pegar a onda normcore e explorar pensando mais no espírito “menos é mais” com um perfume 100% cool.

  • %
11 novembro 2014
Por uma rua com homens mais estilosos

É fácil perceber que enquanto as mulheres se entregam sem pestanejar aos modismos e as possibilidades do vestir, os homens relutam em tentar alguma coisa diferente ao pensar em roupas e acessórios. Por vezes, até mesmo fogem de uma mera camisa rosa ou de uma calça bege. O básico do básico – com um pé no desarrumado – que representa o visual da grande maioria dos caras brasileiros, traduz um conservadorismo e um medo da opinião alheia que já deveria ter sido superado há muito tempo.

boys1

Basta ir além das fronteiras geográficas do país para enxergar que este medo de tentar um visual diferente é algo quase que inerente e exclusivo à grande maioria dos homens daqui – os made in Brasil. Os motivos são os mais diversos, e vão desde uma provinciana preocupação com a opinião alheia, uma insegurança quanto a uma possível avaliação sobre sua sexualidade (ahm?) e até mesmo algo que segue a linha de pensamento de que apenas as mulheres devem se produzir e aos homens resta, apenas, se manter superficialmente limpinho, considerando isso o suficiente.

boys2

Não é uma regra ser estiloso, usar algo ousado, ter um visual moderno ou inusitado. Mas, sabe-se bem que não há, também, uma norma que obrigue todos os garotos a serem sempre iguais. Sempre sem graça. Sempre presos na bermuda desleixada. Na calça larga (não pela modelagem, mas sim pelo tamanho errado). No tênis de mola. E na blusa de malha jogada no corpo. Não é legal.

Também acredito que não deve partir apenas das namoradas, esposas e, até mesmo, das mães a vontade e o desejo de melhorar o visual de um homem. Isso deve ser algo que vem da própria pessoa. Afinal, por aí – salpicados na rua, quase que como achados que saltam aos olhos – existem sim homens que misturam cores, que vestem calças ajustadas com barras dobradas, que apostam em calçados inusitados (muito além do tênis) e que sabem da existência de acessórios. Existem homens vaidosos, que tem noção de que é legal manter o cabelo sempre bem cortado, que entendem que unhas limpas e arrumadas é pré-requisito e que usam estampas. Ainda bem!

Há de deixar de lado (logo) a ideia de que homem não se produz e tentar fazer algo diferente. Afinal, a roupa e a moda são formas de expressão que pede para ser explorada. Quando não é, restam mensagens incompletas ou mal estruturadas que deixam a sensação de homens sem graça e malcuidados.

  • %
06 novembro 2014
“Magra” não é elogio

Desde quando “magra” virou um elogio?! Aparentemente, desde quando “gorda” virou a maior e pior ofensa imaginável para uma mulher. Avaliadas e julgadas pela aparência, somos praticamente obrigadas a nos vigiar dia após dia quanto ao que comemos e, também, quanto a nossa rotina de exercícios. Devemos seguir uma legião de musas fitness, admirar o corpo da moda – que muda de tempos em tempos, como a tendência da estação – e fugir, sempre, dos exageros eventuais, como se fossem crimes horríveis passíveis de punição drástica como a pena de morte. Em meio a este exagero, uma luz ao fim do túnel que lembra que, seja como for, o equilíbrio costuma ser a salvação e a saída desejada.

body

O pior de toda essa situação é enxergar que a escravidão pela beleza e pelo corpo magro surge, basicamente, da convivência entre mulheres, pois para os homens já ficou bem claro que um pouco de carne não é um problema. Isso mostra, então, que a magreza está ligada à moda, às modelos esqueléticas e a ideia da mulher como um manequim para vestir e servir de mero cabide para itens de consumo. Por favor, somos mais do que isso.

Podemos e devemos ser a geração da saúde e da alimentação saudável, mas que não busca a magreza como qualidade. Podemos ser mulheres que fazem boas escolhas da moda e tiram do guarda-roupa peças que vestem o corpo, no lugar de querer transformar a silhueta para se adequar às tendências da temporada. Tudo isso com o direito de nos deliciarmos com as comidas maravilhosas que existem por aí… é questão cultural. Como viver abrindo mão de sabores tão maravilhosos?! É como abrir mão da música… desnecessário. Com isso, o melhor é buscar uma vida balanceada. Cada um com suas próprias regras, regras essas que moldam a autoestima elevada e a felicidade.

  • %
01 novembro 2014
“Dentre todos os roteiros, o da moda é o menos pior”

Feio ou bonito. Certo ou errado. Concepções que, muito além da álgebra ou da física, se perdem na relatividade. Difícil aceitar que em tempos de desiguais, em uma época na qual até mesmo a moda oferece um amplo leque de opções no que tange à estilo pessoal, ainda exista tanta disputa para ser o dono da razão.

contextos

Entre política, esporte e assuntos da atualidade, o que vemos é uma constante vontade de convencer. Esta acabar por sobrepor a possibilidade do debate. O confronto das ideias perde seu espaço para o jogo do ego, no qual ter razão parece ser mais importante do que aprender algo novo, mesmo que o novo em questão possa vir a ser usado como uma nova justificativa para retificar aquilo que você tem como a sua verdade.

Pesquisar, ler, tentar entender, no entanto, não passa pela mente de quem se alimenta de superficialidade – entre chamadas de capa dos sites e jornais, e das histórias infundadas que se compartilham pelas redes sociais. Pensar, para muitos, perdeu o valor e em alguns círculos se transformou em artigo de luxo. A pressa parece tanta que a vontade é de receber a opinião já mastigada: aquela que combina com o grupo social, com o perfil da galera que quer se fazer de antenada sem ter que abrir mão de algumas das frivolidades que consomem o tempo e impossibilitam a ação crítica. Vale para todos os lados. Por isso, a afirmação do filósofo Gilles Lipovestky – em tempos de tanta discordância com tão pouco debate – lembra que a moda, ainda que frívola, é das menos piores, entre todos os contextos…. ele salienta que “a moda consumada vive de paradoxos: sua inconsciência favorece a consciência; suas loucuras, o espírito de tolerância; seu mimetismo, o individualismo; sua frivolidade, o respeito pelos direitos do homem. No filme acelerado da história moderna, começa-se a verificar que, dentre todos os roteiros, o da moda é o menos pior”.

  • %