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30 outubro 2012
Todos iguais, e tão desiguais

Ainda que compartilhando das mesmas peças, looks são pensados de maneiras diferentes, cruzando fronteiras geográficas e desejos culturais

A blogosfera de moda possui uma infinidade de meninas postando suas produções, registrando, dia após dia, compras e modismos combinados em bem amarrados (ou não) looks do dia. Seja aqui, ou em qualquer outro lugar do mundo, esta realidade é visível. Atualmente é difícil encontrar alguêm que nunca acessou um blog de moda ou que não reconhece nomes como Camila Coutinho, Lala Rudge ou Lu Ferreira.

Interessante é perceber, longe de críticas ou análises sobre qualquer outra questão, a forma pela qual, por muitas vezes, as mesmas peças, idênticas, são usadas por diversas meninas de vários cantos do mundo. No entanto, a combinação caminha ora para interpretações similares, dando um único tom à composição, ora para ideias super diferentes, afetando o resultado do look pela escolha de cores, número de peças ou complementos do visual. Uma mesma peça é explorada com uma bagagem e vida e com um carga cultural, local, que é combinada à característica global da tendência.

Por mais que a grande média seja fabricada, repetindo sucessivamente o mesmo visual, há uma diferença que é clara quando os looks são colocados lado à lado, ou mesmo quando uma mesma junção de peças não gera resultados diferentes. Perceber isso é algo muito interessante, principalmente quando muitas das peças usadas em diversos cantos do mundo (postadas nos “looks do dia”) são adquiridas em uma rede de fast fashion – a Zara – que está presente em 85 países com quase 1.700 lojas em sua totalidade.

O que é semelhante, igual, se dá pelo desejo de pertencimento ao grupo, pela busca de aprovação ou pela simples pouca criatividade. Mas, por que será que em um tempo tão globalizado os desejos locais (ou mesmo pessoais) ainda tenham tanta força? Estaremos cansados, ou indispostos à nos render ao que é completamente massificado? Pode ser que sim, e que até mesmo alguns daqueles que brincam com todos os modismos do universo da moda queiram, em algum ponto, fazer algo diferente ou mesmo aplicar seu toque final. Isso é estilo pessoal, claro, mas há algo de mais forte nesta brincadeira.

Longe do certo ou do errado, do adequado ou inadequado, há um efeito que aplica fortes doses de energia e charme na moda. É o que faz com que o padrão estético de um local seja diferente do outro, pela sua carga histórica, pela sua herança cultural ou por tudo o que faça com que todos sejam tão iguais, e tão diferentes ao mesmo tempo.

Deixe um comentário em "Todos iguais, e tão desiguais"
  1. Marina
    03/11/2012

    Não sei se concordo com você, porque essas meninas são todas iguais, até na forma de conversar. Ache que elas representam o que há nas ruas, meninas e mais meninas vestidas iguais. Mas, no mundo, há sim essa variação. Percebi isso na minha viagem a Europa, a moda com mais identidade enquanto por aqui o foco é o corpo e a sensualidade.

    Nina

  2. Julia Campolina
    05/11/2012

    É bom ver um pouco de inteligência no bate-papo da moda. Amanda, nem sei por onde começar porque eu nunca havia pensado nisso. Concordo quando você pontua que os desejos não são os mesmos e cada um de cada lugar usa a moda de um jeito. Se o uso é igual no look, ele ganha algo novo na maquiagem ou no comportamento. Por isso a moda não vai morrer nunca.

  3. Maria Laura Diniz
    06/11/2012

    Amandinha, é como conversamos, cada uma manipula de uma forma diferente a modinha. Por isso algumas pessoas se destacam. Algumas sabem criar looks mais legais, outras não montam nada novo. Eu adoro o Conversinha Fashion porque você faz a gente pensar além da caixinha. Bjim.

  4. Nathália
    07/11/2012

    Você foi muito feliz com a escolha do título da postagem. Todas iguais e tão desiguais! Ao mesmo tempo que se parecem, contam histórias diferentes. Por isso eu amo o conversinha, vida inteligente na blogosfera.

  5. Luzia Thomaz
    07/11/2012

    Eu pensava bem diferente de você mas fui convencida. Não, você abriu meus olhos para detalhes que eu ainda não percebia. É como na consultoria de estilo, essa questão da identidade e estilo pessoal. Existem mesmo essa leitura que varia por origem, local ou estilo.

  6. Amanda Medeiros
    09/11/2012

    Luzia, não é bem o que trabalhamos na consultoria? Você pode, deve e vai usar as tendências… mas pode explorar este universo com identidade, lembrando sempre da sua referência cultural e das coisas que você gosta. Isso acontece naturalmente. =)

  7. Amanda Medeiros
    09/11/2012

    Nathália, não conseguia pensar em outro título para a página… todas iguais, mas tão diferentes ao mesmo tempo…
    E percebo isso, às vezes, mais na atitude e no comportamento do que na roupa em si, que em alguns casos é massificada. Mas, enfim… =) Obrigada pelas palavras. Bjs!

  8. Amanda Medeiros
    09/11/2012

    Laura, é bem isso. Obrigada pelas palavras e pelo apoio constante. Bjs!! =*

  9. Amanda Medeiros
    09/11/2012

    Julia, ou a imagem é diferente no geral, no que é óbvio, ou a diferença fica nos detalhes. Sempre acontece, seja como for. É como você disse, é isso que alimenta a moda e que faz com que ela ofereça, sempre, possibilidades.
    Bjs!!

  10. Amanda Medeiros
    09/11/2012

    Marina, elas são muito parecidas mesmo…
    E, por vezes, são iguais! São cópias fabricadas. Mas, no geral, na massa, há sim diferença… e como você disse (e percebeu em viagens) as referências culturais mudam totalmente a forma de vestir e combinar. =) Bjs!