12 fevereiro 2012
Pensando além das lágrimas

Na eterna busca pelo amor, razão e amor conversam mas não se entendem e, assim, alimentam a incerteza

Perder um grande amor, para outra ou para o mundo, dói como perder uma parte do próprio corpo. Dói, literalmente dói. É como se algo estivesse sendo arrancado de você a força, sem anestesia, sem pré operatório. E, com isso, sofremos. Choramos, nos revoltamos, gritamos, brigramos, sofremos como se não fosse possível sofrer mais. Entre as muitas palavras de apoio, nada parece ser útil ou suficiente. Todos os discursos repletos de elogios carregam um pouco daquela dúvida quanto ao real sentido de tudo aquilo, quanto ao real significado daquela história. Se há, de fato, tantas qualidades em mim, ou em você, por que algo assim acontece?! Não há explicação. “Amar, assim como ser moral, significa estar e permanecer em um estado de perpétua incerteza”. Nunca sabermos o que vai dar certo… e é essa incerteza que alimenta a esperança, ou a falta dela.

Nesse contexto, as melhores palavras, as mais inteligentes, sensatas, realistas, podem vir da pessoa que você menos espera. Podem vir de alguém que já te magoou, que já lhe fez sofrer (ainda que menos) mas que conseguiu com serenidade, diretamente na ferida, lhe lembrar do real sentido de cada decepção. Trata-se de uma passagem, de algo que provavelmente aconteceu para o bem, para o meu (ou seu) bem. Ansiosos por conquistar o que queremos, por chegar onde queremos, acabamos nos esquecendo do que realmente importa,  cobrindo defeitos grandes naqueles que um dia amamos – ou ainda amamos. Estes aparecem com mais clareza quando a tempestade passa, e acordamos para o simples fato de que sim, era pouco demais – ou não era o bastante. Ansiosos por um futuro feliz, sofremos muito e sofremos pelo tanto que dedicamos, pelo tanto que colocamos na mesa. Mas, quer saber, é como me disseram… o mal pode ser cortado antes que vire algo pior e daí há a esperança por dias melhores, por amores maiores (e estes sim, eternos). É o que faz nascer novamente a esperança. Não devemos desistir do amor… devemos, por sua vez, acreditar que há algo de mais incrível para aparecer. Cada pessoa que sai da sua vida é alguém que deixa a porta aberta para outra pessoa e, essa outra, pode sim ser a pessoa certa. Assim como me lembraram, não devemos buscar apenas relacionamentos… se o que queremos é algo mais completo, eterno, devemos estar prontos para deixar o que é passageiro ir e, assim, dar espaço para algo que não se transforme em pura decepção no futuro.

“O amor teme a razão; a razão teme o amor. Cada um tenta viver sem o outro. Mas sempre que o fazem, o problema fica guardado. Esta é, na sua expressão mais breve, a incerteza do amor. E da razão”. Entre seguir a razão e viver plenamente o amor podemos encontrar um meio termo, um ponto que abrigue dois universos tão distantes. Entre sentir e pensar, a junção de tais mundos cai como uma resposta perfeita ao que pode ser a receita para a felicidade.

Trechos retirados do livro “A Sociedade Individualizada – vidas contadas e histórias vividas”, de Zygmunt Bauman

Deixe um comentário em "Pensando além das lágrimas"
  1. Alini Raquel
    13/02/2012

    Eu tive várias paixões e dois amores. O primeiro era relação conflituosa, traições, era uma montanha russa de sentimentos, ora felicidade ora tristeza. Mas deseja um final feliz. Não aconteceu o homem era uma mentira em pessoa.Para me afastar tive que colocar a razão para comandar a minha vida naquela período. Passou algum tempo encontrei o meu atual amor, calmo, sereno que me completa. Descobri com esse relacionamento a cumplicidade, companheirismo, tão diferente da primeira relação. Eu acredito que tive que ter uma relação ruim para dar realmente valor a essa relação atual. Não acredito em nada eterno, mas hoje posso garantir que sou feliz!

  2. Letícia
    13/02/2012

    Uma das minhas atuais inquietações é o desafio de viver sem aquele que, até pouco tempo atrás, eu achava ser a pessoa com quem eu viveria toda a minha história. Não deu, não foi desta vez. Também tive que enfrentar a desilusão do fim do relacionamento e a desmistificação do outro. Também me questionei sobre as escolhas que fiz e as que deixei passar em nome do que eu achava valer a pena. Sofri, chorei, suei, quis sumir, mas estou cada vez mais certa de que as coisas não aconteceram por acaso. Hoje eu entendo perfeitamente que não era pra ser…

    Agora é começar de novo, o que tá difícil. Diga-se de passagem, em BH a “coisa” tá feia para a mulher solteira… rsrs.

    Obrigada por mais uma reflexão e pelo espaço para desabafos e devaneios. Bem estar também é isso!

    Bjos

  3. Amanda Medeiros
    29/02/2012

    Aline, que lindo isso que você escreveu…
    E olha, nunca sabemos se vai ser eterno, ou se vai durar muito, mas o que importa é isso que você disse… estar e ser feliz. =)

  4. Amanda Medeiros
    29/02/2012

    Letícia, me nego a comentar a situação de BH. rs
    Pior impossível.
    Mas… sofremos e superamos e é isso que importa. E pessoa “melhores” sempre aparecem, basta ter paciência.
    Bjs!