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27 outubro 2011
Quero ficar no seu corpo…

Marcar o corpo, deixar seu recado. Na tatuagem um elemento que eterniza memórias e marca os elementos de um determinado tempo.

Tatuagens já não são novidades e marcam a pele com histórias ou lembranças especiais. Muito já foi discutido sobre a importância de escolher um dezenho, frase, ou referência de forte importância, mas mais do que isso é válido pensar na história desse hábito que se transformou em arte e tendência. Irresistíveis, as marcas na pele passam a fazer parte do que cada um é, seja pelo sentimento de satisfação ou pelo rastro de arrependimento. De toda forma, marcam uma fase da vida, o desejo de superação, uma homenagem ou a busca por paz interior.

Elas existem a milhares de anos, sendo utilizadas por grupos que compartilhavam de um mesmo princípio. Eram utilizadas como uma forma de marcar fatos da vida biológica; como parte de comunidades tribais, serviam como referência de poder ou realização, garantindo a proteção divina, a identificação em um grupo ou mesmo para eternizar a vida após o falecimento. Esse rastro histórico permanece até os dias de hoje, nos significados particulares às tatuagens.

Até poucos anos atrás elas eram inadequadas, remetendo à marginalidade ou revolta. Hoje em dia fazem parte da rotina de pessoas comuns que, cada vez mais jovens e cheias de vontade, desejam passar seus recados através da imagem. A tatuagem é, mais do que tudo, uma forma de expressão individual de arte e estética do corpo.

Em toda sua história, o que não mudou foi a técnica de aplicação. A junção de agulhas mergulhadas em tinta, perfurando superficialmente a pele, mistura dor e realização. A técnica evoloiu pelos materiais, pela inserção do motor, mas continua igualmente dolorida – faz parte.

A Revista Galileu conta em uma reportagem um pouco mais sobre a história da tatuagem. Entre 2160 a.C e 1994 a.C. múmias de mulheres egípcias, como a Amunet, possuiam traços e inscrições na região do abdome. Há mais de 2.400 anos, múmias encontradas nas montanhas de Altais, na Sibéria, apresentam ombros tatuados com animais, reais e imaginários. Entre 509 aC e 27 aC os imperadores romanos determinam que, para não serem confundidos com súditos mais bem afortunados, prisioneiros e escravos sejam tatuados. Em787, sob a alegação de ser coisa do demônio, o papa Adriano I proíbe as pessoas de se tatuarem. Em 1600, com o fim das guerras feudais no Japão, os serviços dos samurais tornaram-se desnecessários. Surge, então, a Yakuza, a máfia japonesa. Já em 1769, em expedição à Polinésia, o navegador inglês James Cook nota a tradição local de marcar o corpo com tinta; na língua local, chamam isso de “tatao”. Em 1891 o americano Samuel O’Reilly patenteia a máquina de tatuar. Trata-se de uma adaptação de uma invenção de Thomas Edison. Em 1928, em Chicago, um caminhão com peles tatuadas é roubado. A coleção pertencia a Masaichi Fukushi, médico japonês que estudava como a tatuagem ajudava a preservar a pele. No ano de 1942, durante a Segunda Guerra, os nazistas tatuavam um número no corpo dos judeus para identificá-los como prisioneiros nos campos de concentração. Por fim, em 1959, chega ao Brasil o dinamarquês Knud Gegersen, o primeiro tatuador profissional a atuar por aqui. Ufa!

De toda forma, a tatuagem foi inventada e reinventada em diversas partes do mundo e superou preconceitos e proibições. Talvez isso seja o reflexo de que deixar sua mensagem é mais valioso do que seguir regras ou se prender a restrições.

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