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29 outubro 2011
Jeitinho baiano

Dois dias na Bahia, mais especificamente na Praia do Forte, me fizeram pensar bastante sobre o ritmo aceleradíssimo que controla a nossa vida – principalmente em grandes cidades como São Paulo, contagiando capitais menores como Belo Horizonte. A loucura dos prazos, das tarefas, da busca eterna por uma renda maior gera um efeito de trabalho excessivo, exaustivo. Aí, o desejo de crescer e de vencer esconde partes da vida que são importantíssimas, como o descanso, o ócio e a felicidade. As vezes, a tristeza é escondida por novas aquisições ou por uma conta bancaria recheada – quando nem isso. O que veio à tona a partir desse contato com a cultura baiana, mais especificamente para conhecer o Tivole Ecoresidences, do qual falo mais tarde, é que o povo baiano não é preguiçoso como dizem por aí… é, simplesmente, um povo que gosta de viver, sendo que o trabalho é uma ferramenta de um conjunto bem maior. Para nós o que é comum ao extremo, como trabalhar sábados, domingos e feriados, é inadequado para aqueles que amam um tempo de lazer e que não trocam isso por nada (ou quase nada). Certos estão eles que sabem que o homem é muito mais produtivo quando está se sentindo bem, tranquilo, feliz e em paz. Talvez essa leve preguiça, esse jeitinho baiano de não ter pressa e não ter desespero para ver as coisas acontecerem, nada mais é do que o resquício do que todos fomos um dia. Claro que o crescimento, a evolução, exige trocas… mas estas podem muito bem ser temporárias, sem que se transformem em um grande regra da vida.

É claro que foi o espírito ousado e de trabalho constante de alguns que nos trouxe uma outra velocidade para viver, mas isso pode estar escravizando a gente, daquela mesma forma que condenamos outras formas de escravização. Somos servos da vida, do consumismo, da ambição, sendo que o retorno pode vir em doenças, falta de esperança e perda de bons momentos perto de filhos e familiares – ou pessoas amadas no geral. O jeitinho baiano ensina e cativa, nem que seja como uma brisa constante (como a que presenteia diariamente a Praia do Forte) que acalma a alma e lembra que a vida é feita de belezas naturais, nem que seja no mero fato de estar vivo e saudável para curtir os presentes que recebemos todos os dias.

 

 

 

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  1. Camila Gomes
    30/10/2011

    Onde assina?

    Meu pai é um cara que nunca tirou férias, nunca soube relaxar. Eu sou do mesmo jeito, não desligo e acho que isso é super ruim.

    Não descanso, não relaxo, e geralmente sou ansiosa, ansiedade até para escovar dente e depois lembrar que pode tomar um café. Ai o gosto apaga, não tenho o frescor do hortelã nem o amargo que abre o paladar do café.

    Ou seja? Não sei viver, ainda. Dificil constatar isso, mas é a realidade.

  2. Só mesmo um olhar “estrangeiro” para decifrar tão bem o ritmo de vida baiano. Como boa soteropolitana que sou, trabalho muito mas não deixo jamais de me dar um bom tempo de ócio para recarregar as baterias! É importante para todos ter esse tempo… Retomam a rotina mais criativos, mais dispostos e muito mais felizes!

    Experimentem! :)))

    Beijos,
    Mai

  3. Amanda Medeiros
    15/11/2011

    Mai, fiquei apaixonada com esse “estilo de vida” e vou levar para a vida. =) Bjocas!