Conversinha Fashion » 2011 » agosto
31 agosto 2011
Bloco de cor, ainda?!

Blocos de cor fora do contexto da tendência e inseridos como hábito, no uso diário. Cores como parte e não como exceção.

Lá quando o color blocking que já começa a cansar começava a aparecer ele era apresentado junto a tons neutros e cores claras, quase que como preparando nossos olhares, e nossa coragem, para um pouco de ousadia. Depois, já com a mistura em puros de blocos de cor, aprendemos e descobrimos que nem só de neutros deve ser feito um guarda-roupa e que as cores chapadas, em grandes peças, também são úteis no contexto geral.

Acontece que essa mistura de cores vibrantes com neutros pode e deve ser incorporada a vida de sempre, principalmente como forma de valorizar certas partes da silhueta. Pode-se pensar em manipular sobreposições na porção dos neutros e/ou jogar a cor mais forte na porção do corpo que deseja ressaltar. Já falamos sobre isso, por aqui, tantas vezes… e sabemos que funciona. Ainda assim, referência nunca é demais.

Agora, as construções de looks parecem fazer caminho contrário, principalmente na aplicação de tons de bege e marrom por vezes dominante. Aí, entram os pontos de cor em acessórios ou elementos menores que chamam grande atenção para detalhes. Por fim, super legal pensar nessa ideia alegre até mesmo em um universo super sexy como é do da marca Dsquared².  

30 agosto 2011
Olimpianas da era digital

Copiadas, invejadas e celebradas as blogueiras são olimpianas da era digital, estabelecendo um novo estilo de adoração.

“No encontro do ímpeto do imaginário para o real e do real para o imaginário, situam-se as vedetes da grande imprensa, os olimpianos modernos.”

Nos blogs e blogueiros de moda, estilo e comportamento o papel da divulgação chega a ser desnecessário, pois a fórmula de sucesso, dos looks à registros de compras, viagens e hábitos, está nessa sintonia entre real e imaginário. As blogueiras estabelecem a substância humana necessária à cultura de massa, naturalmente apresentada como um presente que é oferecido aos que seguem, literalmente, essas bloguers em seus caminhos. Blogueiras de moda, de todo o mundo, são mais que estrelas – são olimpianas.

“Os novos olimpianos são, simultaneamente, magnetizados no imaginário e no real, simultâneamente, ideais inimitáveis e modelos imitáveis; sua dupla natureza é análoga à dupla natureza teológica do horói-deus da religião cristã: olimpianas e olimpianos são sôbre-humanos no papel que eles encarnam, humanos na existência privada que eles levam. A imprensa de massa, ao mesmo tempo que investe os olimpianos de um papel mitológico, mergulha em suas vidas privadas a fim de extrair delas a substância humana que permite a identificação.”

O que facilita o efeito olimpiano das blogueiras (e blogueiros) de moda é o comportamento estabelecido que entrega, de mãos beijadas, de detalhes íntimos de suas vidas privadas. Entre explicações e jusficativas, conversas e revelações, a ligação que se estreita, dia após dia, em sistema de total cumplicidade e fidelidade. A interação via comentários e tweets afina essa sintonia, essa tal amizade, que como resposta abre as portas para uma rede de comércio e negócios da qual as empresas bebem, e se aproveitam, pela credibilidade que essas meninas possuem – e por serem grandes formadoras de opinião. Assim, as blogueiras podem ser vistas como melhores (no quesito utilidade) que as celebridades, pois se banham de uma suposta legimitidade ou mesmo autonomia de escolhas e seleções. A opinião é presente, permanente, mas por vezes a assinatura tem um preço… que ninguém precisa ou deve conhecer.

No prime network de blogs de moda do Brasil, Fashion Hits – F*Hits, um exemplo claro desse processo que reúne os maiores olimpianos da blogosfera brasileira, alguns com impacto e importância no contexto mundial. Por vezes, o sentimento de admiração se mistura à vício; em outros momentos, o processo de dependência leva a necessidade de verificar, dia após dia, o que acontecem com essas pessoas. São amadas e, por consequência, odiadas em um caminho que também chama sentimentos de inveja e ódio.

“Os olimpianos, por meio de sua dupla natureza, divina e humana, efetuam a circulação permanente entre o mundo da projeção e o mundo da identificação. (…) Eles realizam os fantasmas que os mortais não podem realizar, mas chamam os mortais para realizar o imaginário. “

São as blogueiras que realizam os sonhos que muitos gostaria de realizar, que conhecem lugares, destinos e festas que tantos desejavam. Ganham presentes, são convidadas para todos os lançamentos e vivem uma vida que abraça em todos os sentidos o consumismo e o mundo das futilidades – de maneira alguma pejorativo. São elas que conseguiram ser admiradas por muitos, que colecioam milhares de seguidores e dezenas de milhares de acessos diários. São populares, como as meninas gostariam de ser há uma década atrás no colégio. São olimpianas, divinas pela característica de estarem sempre em um posto superior, acima do padrão, e humanas por serem as garotas que nós poderíamos ser.

Importante, acima de tudo, reconhecer que essas características nada mais são que um fruto do tempo, algo da nossa era. Não há novidades, a não ser pelo contato direto com o mundo virtual e com as teconologias. Essa história, hoje tão discutida, sempre existiu com outros atores. Toda sociedade busca seus ídolos, suas referências, como se fosse impossível seguir algum caminho que não seja indicado por algo, ao menos aparentemente, superior e mais repleto de sabedoria. Cabe pensar nos olimpianos, ou nas blogueiras olimpianas da era digital, como os símbolos da atual industria cultural que, já instaurada e firme em seu caminho, ainda deixa suas manchas na busca pelo constante e permanete lucro.

As frases são trêchos de um texto de Edgar Morin, em Cultura de Massa no Século XX.

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29 agosto 2011
A Cashmere Affair

Representação da delicadeza com a inserção do cashmere no universo do ballet.

Super delicada a coleção A Cashmere Affair, J.Crew, com referência ao ballet em suas fotos de divulgação. As imagens foram feitas no Mariinsky & Yakobson Dance School, na Russia, e despertam lembranças doces e suaves na mente de meninas que, na juventude, passaram horas de seus dias entre alongamentos, saltos e exercícios na barra.

Em meio a sapatilhas de ponta, saias de tule, meia calça rosa e cabelos presos em coque um universo que combina, em tudo, com a suavidade e a paixão que brota com a dança e com o uso de peças em cashmere. Confortável a ponto de possibilitar os mais incríveis movimentos e liberar corpo, e alma, para diversas sensações.

Assim, o cashmere é tão delicado, macio, envolvente, que em tudo combina e conversa. No uso, no dia-a-dia, ele é básico e versátil, sendo item indispensável em todo guarda-roupa. Suas características incluem o toque, extremamente macio, e o acabamento suave e leve, perfeito não apenas par ao inverno mas também, e principalmente, para o verão.

Trata-se de uma lã de alto luxo, originária da Índia ou Paquistão. Essencial é cuidar para não cair no truque do cashmere da China que, além de ser de baixa qualidade, está gerando vários problemas para o equilíbrio ambiental do local. O que alimenta o consumo, e o uso, desse cashmere de baixa qualidade é a marcante diferença de preço e custo – já que o cashmere original é, de fato, relativamente caro. Ainda assim, vale o investimento. 

No dia-a-dia ele pode ser inserido nos mais diversos momentos, do trabalho ao lazer – passando por look mais requintados. O uso, de forma geral, varia de acordo o corte da peça, que pode ser dos mais variados. Na coleção de J.Crew, alguns exemplos que mostram a versatilidade das peças feitas dessa lã. No mais, todos merecemos ter um caso, mais que eterno, com o cashmere. <3

28 agosto 2011
The Show

Eu sempre adoro os comerciais da H&M, desde quando descobri o da linha de Matthew Williamson lá em 2009… e sempre posto por aqui, ainda que fora do contexto da novidade – afinal é preciso uma mistura de sorte e outros elementos para estar no exterior exatamente em tempo de pegar uma dessas coleções, que são uma das coisas mais legais da marca.

 

Passeando pelo Google me peguei assistindo de novo, e de novo, o comercial da linha Lanvin, lá do começo do ano. Adoro a ideia da historinha, dos toques surrealistas, das peças apresentadas de maneira indireta e o burburinho. OMG! E os elementos que se repetem em todos os comerciais da marca? Vale gastar uns minutos e observar, para quem gosta. E vale torcer por mais linhas legais de grandes nomes para as redes de fast fashion aqui no Brasil – com todo o pacote de divulgação especial que a gente adora.

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25 agosto 2011
Ooops…

Tentativas para entender o que visualmente não convence e aprender com aquilo que simplesmente não funciona.

Roupas amassadas, bumbum aparecendo, comprimentos e volumes desencontrados e detalhes que geram incômodo visual. No primeiro look o calçado pesado gera um estranhamento, que se dá também pela cintura extremamente alta do jeans; a silhueta magra acaba desvalorizada pelos acessórios antiguinhos que deixam o visual todo com cheirinho de mofo, muito pelo uso de dois elementos que naturalmente remetem a outras década – o jeans de cintura alta, com boca larga, e a jaqueta curtinha.

No segundo caso, um pouco (ou muito) de falta de bom senso. O que para uns pode ser visto como ousadia, por aqui na minha humilde opinião é considerado feio e desnecessário. Além do shortinho estrategicamente rasgado há a camisa super exagerada, larga, e completamente amassada como se estivesse acabado de sair da máquina de lavar. Um clássico caso do despretencioso que não convence.

Por fim, algo que não carece de análises ou ensaios para melhorias. Não há como solucionar o drama desse look que é, como um todo, desastroso! Nada com nada.

Como sempre acontece, os sites e blogs de moda de rua também carregam péssimas referências que funcionam, muito mais, como orientação para não copiar – jamais! E as fotos são, só para não perder o costume, do Stockholm Street Style.

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