Conversinha Fashion » 2011 » julho
31 julho 2011
Quando o acaso resolve agir…

Quando entregamos nossa sorte ao acaso, abrimos os braços para grandes presentes

O acaso trabalha sem cansar; ele supera qualquer explicação lógica e constrói suas próprias histórias – brinca com nosso destino. Com seu jeitinho malicioso ele supera qualquer ótimo planejamento. Já é antiga a noção de que grandes amores aparecem em meio a coincidências e que, melhor do que sair para o ataque, é buscar a diversão e deixar o acaso agir. Sem dramas, sem desespero. Ficar em casa, também, não é e nem nunca será uma solução para um sofrimento de solteira, pois ninguém bate na porta das casas fazendo convites para jantares. Mas, ainda assim, se amontoar em mesas tristes por entre olhares de radar, buscando algum bom partido apenas pelas impressões visuais, é o mesmo que querer adivinhar os números da mega sena. O que não depende de nós deve ser entregue ao mundo. E é mesmo por isso que na maioria das vezes as produções super elaboradas, da mulher fatal, acabam por enviar uma serie de mensagens erradas que distanciam os homens interessantes (que querem conhecer a mulher) e atraem os personagens de utilidade temporária (que apenas querem se divertir e se aventurar). A mulher escolhe o homem que quer, e escolhe quando quer, para o que quer – exatamente por poder enviar suas próprias mensagens e ser a dona do contexto, a dona da situação. Dizemos sim e dizemos não, ainda que sem perceber. Melhor do que se cobrir de maquiagem e esconder sua essência, fingir ser quem não é, é se expor livre e real para aqueles que buscam uma mulher e não um mero objeto – por mais antiquado que isso possa parecer. Quando a vida quer, e quando a gente deixa claro para nós mesmos o que queremos, as coisas aparecem e assim só nos resta abraçar o que é nosso – por direito. Não se trata de se acomodar, a questão é deixar de forçar situações e respeitar o tal tempo do próprio tempo.

31 julho 2011
tesoros del antiguo Perú

Em Lima, Perú, o múseo Larco é a prova da evolução dos povos antigos da região e a materialização, real, de um passado que por pouco não foi esquecido

 

Com uma reunião extremamente rica de objetos, tecidos, roupas e adornos o Larco guarda segredos e mistérios de uma sociedade que, com pouco, realizou muitos feitos e deixou um rastro cultural fortíssimo a ser desvendado e interpretado. Localizado em Pueblo Libre, um distrito de Lima, o museu está em uma casa do século 18, construída acima de uma pirâmide pré-colombiana do 7º século – rodeada por incríveis e premiados jardins. Nele está exposto, em galerias organizadas de forma cronológica, mais de 4 mil peças da história peruana pré-colombiana – com uma das mais complestas coleções de arte, desse padrão, que inclui peças Moche, Nazca, Chimú e Inca. Além disso o Larco Museum  é conhecido, e famoso, por sua galeria de cerâmicas eroticas pré-colombiana.

A ideia de Rafael Larco Hoyle, o arqueólogo fundador do múseu, em 1926, era mostra o desenvolvimento da arte pré-colombiana antes da chegada dos espanhois. Rafael passou sua vida investigando e pesquisando esse tipo de raridade, entre 1901 e 1967. Neste conjunto, para os amantes da moda, um certo ponto chama a atenção. O cuidado e o peso dos tecidos e adornos (das vestimentas, como um todo) mostra como as roupas, ainda como indumentária, sempre possuíram incrível valor. Mais do que forma de cobrir a nudez, mais do que meros enfeites, os itens ligados ao vestuário eram símbolo de status e de pertencimento.

“The value atrributed to textiles by pre-Columbian societies can be compared to the importance given to gold and silver. Textiles served as much more than clothing: they were also a medium for the spreading of religious ideas and for transmitting messages to the next world when they were employed to wrap the mortal remains of the dead. They also served as exquisite gifts for the rulers of these societies, as well as to denote social status.”

Entre os acessórios, adornos, surpreendentes peças em ouro e ossos que chamam atenção pelo cuidado com os detalhes. Extremamente bem talhadas, confeccionadas à mão, essas peças são a prova do domínio dos instrumentos limitados porém eficientes. Já nos tecidos, feitos com técnicas manuais, mais desse cuidado. Os desenhos eram uma representação de hábitos e costumes da sociedade, quase que como um filme da rotina e do dia-a-dia, real ou lúdico, daquele povo junto às suas crenças e ambições. Vale a visita pela herança histórica que o mesmo carrega e pela importância desta dentro da sociedade.

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27 julho 2011
Algumas razões para sofrer por amor

Buscar algo de bom em toda história, saber tirar o melhor de cada situação. Quem disse que sofrer por amor é só ruim?!

É bom quando buscamos o lado bom em toda e qualquer situação, não? Cada copo está meio cheio, ou meio vazio; tudo é uma questão de ponto de vista. Assim, algumas atitudes pode entrar como inspiração para quem está sofrendo por amor e quer passar ileso – e fortalecido – por esse momento. Sem drama, mas com direito a derramas duas boas lágrimas (ou muito mais, se necessário). Afinal, em cada escorregão há um trampolim, basta você saber onde cair. E o que há de mais legal na vida é saber se divertir com tudo, pois mal humor e sofrimento eterno não levam ninguém a lugar nenhum.

Renove sua imagem

Não há como negar que um pé na bunda vem, sempre, acompanhado de um desejo gigante de melhorias e evoluções. Você pode, e deve, utilizar o momento para renovar o corte de cabelo, correr para a academia, comprar roupas novas ou mesmo passar a cuidar um pouco mais de si. Não que a culpa do mal entendido, ou fim consensual, esteja no visual… mas é que sair da história bem melhor, bem mais bonita, é alimento perfeito para o ego e para a auto-estima. É bom colecionar elogios!

Emagreça

Se estiver precisando, se estiver lutando contra os quilinhos extra (sem loucura, ok?!), o momento de tristeza, raiva ou birra pode ser ideal para fechar a boca e entrar naquela bela calça que estava encostada no armário, devido ao conforto e bem estar do relacionamento estável recheado de jantares e comilanças. Além disso, correr para a academia é uma terapia incrível, e econômica, pela qual liberamos toda a raiva guardada. Boas aulas de jump, body combat ou mesmo spinning são ótimas para tirar a mente de quem não merece mais atenção.

Reveja prioridades

Se você, durante muito tempo, colocou o namorado/marido/prometido em primeiro plano, como prioridade em sua vida, talvez deva voltar a se colocar como ponto principal de sua vida. Isso não significa se manter altamente egoísta, mas muito mais saber dosar a dedicação ao outro enquanto você fica de escanteio, certo? É o tal do egoísmo do bem, que já conversamos por aqui.

Olhe pelo lado positivo

Ele não era tão incrível assim, tão perfeito. Ninguém é. Se apegue nos defeitos, ao menos nesse momento inicial, para esquecer o quão difícil foi aguentar, ou suportar, todas aquelas coisas que você considerava super chatas. Olha que maravilha, você está livre! Diga tchau, já vai tarde.

Canções de superação

Nessa hora, cantar ajuda. Vai mentir? Quem não canta no carro, no chuveiro, no corredor ou em qualquer lugar? Nossas divas eternas estão aí com um setlist incrível, perfeito, para se sentir a última bolacha do pacote e amaldiçoar, sem maldade, aqueles que lhe fizeram um suposto mal. Cristina Aguilera, com I am Beautiful; Adele, com Rolling in the Deep; Lady Gaga com Born this way; Shania Twain, Man I feel like a woman; Spinning Around da diva Kylie Minogue e uma eternidade de músicas mais que empolgantes.


O mais importante? Saber que tudo tem continuidade, preferencialmente com outros personagens. E quer saber? Se esse passado voltar, é bom estar com a cabeça no lugar para saber dizer o seu sim, ou não. Apagar telefones, esquecer emails, se deixar ser esquecida (literalmente deletada) pode ser um presente – uma chance que a vida lhe dá para ser bem mais feliz. E assim, o que mais? A vida entrega presentes bem antes do que você imagina. Basta sair e encarar o mundo.

26 julho 2011
Entre pontos e arremates, o artesanal

Crochê, tricôt e linha. Os elementos artesanais, na construção de tecidos ou aplicações, ganham força como opção já para o inverno ou, logo mais, para o verão

Entre as muitas referências que estão emvoga nas lojas, e já nas ruas, as peças em crochê, tricôt ou linha mostram a força atual dos elementos artesanais. Estes já foram explorados de diversas maneiras, com essência romântica ou moderna. O que surge, agora, é uma mistura de tudo isso.

O tricot fechado, pesado, deve ser acompanhado de peças justas, curtas, que revelem algo da silhueta. Para não agregar peso visual extremo na silhueta é importante trabalhar com esses contrastes. Já com o tricot leve, fino, vasado ou suave as peças adicionais podem ser mais pesadas, ou mesmo é possível investir em sobreposições ou modelagens trabalhadas.

Uma forma fácil de explorar esse universo artesanal, sem precisar apostar nas peças inteiras, é procurar os itens com pequenos detalhes em crochê ou mesmo em algum tipo de renda com aparência manual, que combina muito bem com detalhes mais modernos. O que pode ficar muito caricato é o artesanal dominante em modelagens sem graça; que seja ousada, ou clássica, para mostrar personalidade.

Outra opção, ainda mais diferenciada, é o tricot desgastado, próximo do rasgado, que conversa bem com jeans lavados ou mesmo com couro – uma interessante harmonia.

Assumir a essência do visual artesanal, trabalhando com algo um pouco mais antiguinho de estilo vintage, também funciona super bem! Basta abraçar essa referência. Sempre, em estilo, fica no meio do caminho é o que é o mais complicado…

Entre os elementos complementares, os calçados e bolsas, a ideia de que as sapatilhas e os sapatos de salto enviam mensagens mais românticas e femininas, por sua vez os oxfords, botas ou coturnos são mais dramáticos e modernos. Façam suas escolhas e, por fim, suas apostas.

25 julho 2011
o blog e o fantasma da inutilidade

Uma conversa casual com colegas de trabalho, sobre blogs de moda, estilo, beleza e afins, levou a uma reflexão. Uma dessas conversinhas de mulher, quase uma divisão de informações, que trazem pontos interessantes e importantes – a prova viva do valor da troca de impressões. Citando os blogs regionais, ainda pouco (ou nada) conhecidos além das fronteiras de Belo Horizonte, percebemos algo que acontece, também, com uma enxurrada de outros blogs espalhados pelo país (e mundo), um fator interessante na construção dos mesmos; porém, é um pouco mais estranho observar, e analisar, quando você conhece, mesmo que por alto, os personagens da história. O que estava em pauta, ao menos não a princípio, não era apenas o layout, os looks ou a capacidade de escrever; a questão era, até que ponto vale a pena, e é seguro, revelar sua intimidade em um tempo onde já somos tão vigiados. Tamanha exposição pode trazer fortes consequências, que vão muito além de olhares de cobiça e comentários invejosos. Isso tudo, talvez, seja o perfeito alimento para o alterego e para a vaidade de quem posta suas ricas aquisições, suas coleções de bolsas, relógios e compras que superam, facilmente, os cinco dígitos em uma sacada só. Sequestros, assaltos, são parte de toda e qualquer sociedade. Já pensou? Enquanto se clicam nas portas de suas casas, mostrando sua intimidade, indicando rotina, de salão à dentista, de dermatologista à academia, alguém, não muito bem intencionado, pode estar do outro lado da tela planejando algo não tão maravilhoso. Sem contar aqueles que envolvem filhos e amigos nessa brincadeira perigosa, o tal desejo de mostrar-se interessante, vivo, antenado, ligado nos melhores programas ofertados, pode ter um preço caro.

A Cultura do Novo Capitalismo, de Richard Sennett

Aproveitando o gancho, é possível ir além e pensar na raiz de toda essa nova (não tão nova) mania. O blog pessoal, definido como espaço de moda, estilo, identidade, compras e troca de dicas, acabou virando desculpa para aqueles que, por alguma razão, ainda se sentem perdidos quanto a sua posição no mundo. O tal fantasma da inutilidade, tão temido – principalmente por aqueles afortunados que, por casos do acaso, podem se dar ao luxo de viver por conta do ócio – faz brotar a obrigatoriedade de uma profissão. Assim, o blog cai como uma luva e cobre o tal ócio justificado que é, aos olhos do mundo, muito mais poético. Não há mal em ser herdeira – e só. Em outros tempos faziam-se boas ações, caridade, hoje até isso caiu em desuso… pois o que importa, agora, é ser uma referência (uma it girl!). Uma lástima. Claro que essa desculpa perfeita serve apenas para alguns exemplos (sem generalizações). Porém vale lembrar que, entre Thássias e Marriahs, houve algo de novo, ou interessante. Thássia seduz por sua elegância natural, seu senso estético que cativa a todos e ela é top referência para quase todas minhas clientes, que amam o estilo da garota. Já Mariah faz suas fotos maravilhosas, posadas, com imensa qualidade, fruto não apenas do trabalho de uma ótima fotografa, mas principalmente de sua intimidade com a câmera; ou seja, ela desempenha bem o seu papel.

Talvez, mais do que jogar com o blog como um reality show pessoal, que os leitores acompanham como novela, ansiosos pelo próximo post, vale cuidar um pouco mais dos detalhes – da escrita, bem feita, ao conteúdo – deixando de lado a poesia do “minha vida é um livro aberto”. Para as amantes dos looks do dia, da exibição de compra ou apresentação de produtos de beleza (ou tratamentos estéticos) fica a dica de preencher as linhas com um pouco de informação, nem que sejam motivações pessoais e razões para tal escolha; imagens, por imagens, temos olhos para assistir ao mundo passar. Explicar-se, as vezes, pode ser melhor que se calar. Talvez isso tire, de alguma forma, o foco da exibição gratuita. Esse tempo da vaidade, essa era de exposição sem limites, tráz a tona a possibilidade de consequências incertas que só serão descobertas no futuro – em outro tempo.