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29 abril 2011
Quanto vale?

Num tempo de valores estratosféricos e preços altamente inflacionados, em partes por motivos secundários, o que se vê são itens de moda  beirando pequenas fortunas. O efeito pesado já não é de hoje, é fruto de uma crescente onda de supervalorização do “ter”, na qual a moda parece a vítima mais perfeita. Paciência. Se você não é uma rica herdeira, e/ou sabe o valor do dinheiro, a dúvida sempre fica quanto a questão do investir, sabendo que nem sempre uma etiqueta grifada é garantia de alta qualidade – mas não mesmo. Nem por isso marcas até ontem populares, ou outras medianas, podem simplesmente trocar etiquetas e cabides criando coleções absurdamente caras para o que são. Enfim, quanto vale? Quer saber?

Quanto vale o tecido?

Muito relativo. De forma geral, tecidos ásperos, pesados ou finos ao extremo (que desmacham) são de baixa qualidade; se sintético, abra os olhos. O bom tecido não abafa, não gera atrito com a pele, não incomoda e não pesa. Seja de frio, ou calor, o caimento trás conforto, sensação de abraço. Desconfie de tudo o que lhe deixa muito irritada.

Quanto vale o acabamento?

Fios soltos, botões caindo, costuras abertas, linhas tortas, tudo o que sai do padrão gera esse resultado de erro ou falha. A perfeição tem um custo, a boa costura sai cara porque custa caro manter boas costureiras e profissionais que não precisam produzir dezenas de peças em um dia… peças, essas, que não sentem nem o cheiro de controle de qualidade.

Quanto vale o design?

Uma peça atual, moderna, de corte e forma diferenciada, lembrando uma referências fresca e nova, vale mais que algo ultrapassado e batido, com perfume de passado. Reproduções atrasadas, tardias ou fora do contexto atual são fruto de cópias mal feitas ou criações de estilistas pouco, ou nada, incríveis.

Qual o custo real?

Difícil medir o custo real de uma peça, mas é fácil mensurar por alto o valor daquela roupa. Basta imaginar quanto sai a roupa feita em uma costureira. A roupa industrializada, padrão, deve custar menos que a roupa de costureira – por motivos simples. Costureiras, medianas à boas (deixo fora as incríveis), costumam negar sistematicamente pedidos e convites de grandes facções porque não querem trabalhar no desgaste de uma fábrica por salários por vezes mais altos mas que custam horas e horas de trabalho a fio. Fora que caimento perfeito e roupa sob medida são algo diferente.

Quero? Preciso? Gosto? Vale?

Ok, a roupa é legal e tem um preço justo. Pode ser cara, mas é de tal marca ou veio de tal loja super bacana não sei lá onde… mas e aí, você realmente gostou ou está sendo influenciada pelo momento?! Só para lembrar que nem sempre o que é dito por aí traduz de fato uma realidade de amor ou admiração. No mercado, e na mídia, tudo é feito na base da troca de favores, valores e presentes. Daqui pouco tempo a peça de três dígitos da loja de fast fashion já não vai ser mais nada… porque a marca já vai ter lançado mais sei lá quantas coleções super especiais e únicas.

E o mesmo vale para as roupas afortunadas das lojas de luxo. Fazer a conta do custo na sua vida é o que importa para ver se a mesma vale, ou não, o investimento. Seus desejos, suas prioridades, suas vontades. O que importa mais? Bons jantares o ano inteiro ou uma bolsa cara? Viagens divertidas ou aquele sapato? Se você pode tudo, não se sinta mal – pelo contrário. Agradeça ao universo e comece a pensar na questão da quantidade. Até quando precisamos de tanto? As vezes a compra compulsiva justifica ou preenche outros vazios; as vezes a sorte da riqueza mascara carências que nem podemos explicar. Ter por ter, em tempo de sentir, é pura bobagem.

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  1. Renata Flávia
    30/04/2011

    Eu agradeço a Deus por ter uma mãe costureira, 50% das minhas roupas foram feitas por ela. Além disso, ela também faz crochê.
    Desde pequena mesmo eu tinha uma noção clara de quando uma roupa estava bem feita. Quando íamos às compras, nos espantávamos quando encontrávamos uma peça simples por um preço exorbitante que minha mãe faria e não gastaria nem R$15 reais.
    Foi assim que eu aprendi a dar valor ao dinheiro, pagar pelas roupas o que eu acho que elas valem e não o que a etiqueta diz que vale.
    Certas peças são perfeitas, de uma beleza e um acabamento incrível, mas se estão muito longe das minhas posses, não me desanima. Eu também encontro muitas peças boas por preços baixos. Vale parar e responder essas perguntinhas que você fez.
    “Contos de uma leitora” haha.
    Seu post ficou muito bom, Amanda.
    Beijos.

  2. Rô!
    02/05/2011

    É por posts como esse que o Conversinha é o blog que mais gosto. Real, pé no chão e super consciente. Além de tratar de forma super objetiva. Parabéns, Amanda. ;]

    PS: Invejinha branca da Renata! rsrs… Uma tia costureira já me faria feliz hausha

  3. Amanda Medeiros
    03/05/2011

    Renata, deve ser muito bom ter mãe costureira. =) E, com isso, você entende bem como as coisas funcionam.
    Bjs e obrigado. =)

  4. Amanda Medeiros
    03/05/2011

    Roberta, que fofa! Fico feliz com seu comentário porque é bem assim que busco tratar as coisas aqui no blog.
    Também fiquei com invejinha branca, viu? rs Nos tempos que estudei moda eu era muito ligada em uma costureira e era uma mão na roda. rs Infelizmente ela parou de costurar… ahahah triste. Bjs!