
Num tempo de valores estratosféricos e preços altamente inflacionados, em partes por motivos secundários, o que se vê são itens de moda beirando pequenas fortunas. O efeito pesado já não é de hoje, é fruto de uma crescente onda de supervalorização do “ter”, na qual a moda parece a vítima mais perfeita. Paciência. Se você não é uma rica herdeira, e/ou sabe o valor do dinheiro, a dúvida sempre fica quanto a questão do investir, sabendo que nem sempre uma etiqueta grifada é garantia de alta qualidade – mas não mesmo. Nem por isso marcas até ontem populares, ou outras medianas, podem simplesmente trocar etiquetas e cabides criando coleções absurdamente caras para o que são. Enfim, quanto vale? Quer saber?
Quanto vale o tecido?
Muito relativo. De forma geral, tecidos ásperos, pesados ou finos ao extremo (que desmacham) são de baixa qualidade; se sintético, abra os olhos. O bom tecido não abafa, não gera atrito com a pele, não incomoda e não pesa. Seja de frio, ou calor, o caimento trás conforto, sensação de abraço. Desconfie de tudo o que lhe deixa muito irritada.
Quanto vale o acabamento?
Fios soltos, botões caindo, costuras abertas, linhas tortas, tudo o que sai do padrão gera esse resultado de erro ou falha. A perfeição tem um custo, a boa costura sai cara porque custa caro manter boas costureiras e profissionais que não precisam produzir dezenas de peças em um dia… peças, essas, que não sentem nem o cheiro de controle de qualidade.
Quanto vale o design?
Uma peça atual, moderna, de corte e forma diferenciada, lembrando uma referências fresca e nova, vale mais que algo ultrapassado e batido, com perfume de passado. Reproduções atrasadas, tardias ou fora do contexto atual são fruto de cópias mal feitas ou criações de estilistas pouco, ou nada, incríveis.
Qual o custo real?
Difícil medir o custo real de uma peça, mas é fácil mensurar por alto o valor daquela roupa. Basta imaginar quanto sai a roupa feita em uma costureira. A roupa industrializada, padrão, deve custar menos que a roupa de costureira – por motivos simples. Costureiras, medianas à boas (deixo fora as incríveis), costumam negar sistematicamente pedidos e convites de grandes facções porque não querem trabalhar no desgaste de uma fábrica por salários por vezes mais altos mas que custam horas e horas de trabalho a fio. Fora que caimento perfeito e roupa sob medida são algo diferente.
Quero? Preciso? Gosto? Vale?
Ok, a roupa é legal e tem um preço justo. Pode ser cara, mas é de tal marca ou veio de tal loja super bacana não sei lá onde… mas e aí, você realmente gostou ou está sendo influenciada pelo momento?! Só para lembrar que nem sempre o que é dito por aí traduz de fato uma realidade de amor ou admiração. No mercado, e na mídia, tudo é feito na base da troca de favores, valores e presentes. Daqui pouco tempo a peça de três dígitos da loja de fast fashion já não vai ser mais nada… porque a marca já vai ter lançado mais sei lá quantas coleções super especiais e únicas.
E o mesmo vale para as roupas afortunadas das lojas de luxo. Fazer a conta do custo na sua vida é o que importa para ver se a mesma vale, ou não, o investimento. Seus desejos, suas prioridades, suas vontades. O que importa mais? Bons jantares o ano inteiro ou uma bolsa cara? Viagens divertidas ou aquele sapato? Se você pode tudo, não se sinta mal – pelo contrário. Agradeça ao universo e comece a pensar na questão da quantidade. Até quando precisamos de tanto? As vezes a compra compulsiva justifica ou preenche outros vazios; as vezes a sorte da riqueza mascara carências que nem podemos explicar. Ter por ter, em tempo de sentir, é pura bobagem.