Conversinha Fashion » 2011 » março
31 março 2011
Informação superficial serve?!

Muito se fala e se discute sobre o conteúdo dos blogs de moda, principalmente aqueles que fazem mais sucesso em questão de visitas e acessos. Fato: acesso não representa qualidade, assim como ibope televisivo não é tradução de bom material. Claro. Se a novela tem picos altíssimos não significa que ela é melhor que o programa matinal de receitas e assuntos gerais. Acontece que o jornalismo como mercadoria, num processo da própria evolução desse campo, leva a tona o sucesso dessa informação direta e superficial que entretêm e vende de maneira inconsciente, assim como a publicidade quer. A contextualização com o panorama atual nos faz perceber que sim, é o prazer do fútil e/ou pouco útil que grande parte do público quer. Ou pensa que quer.

Talvez o leitor, o espectador, o ouvinte tenha sido lentamente educado a acreditar que aquela informação fácil é o que ele aguenta, o que ele precisa depois de um dia cansativo. Talvez, se se der uma chance, ele (ou nós) podemos perceber que somos muito capazes de sair da superfície e entrar mais fundo em cada ponto. Importante ser expert em todos os assuntos?! Não, jamais. Mas já pensou que talvez estamos sempre na primeira camada da informação?! Ao ler somente a chamada da notícia, ao parar no primeiro parágrafo, ao olhar só imagens e ver apenas as partes grifadas acabamos educados a aceitar a informação direta – mastigada, entregue de bandeja. Assim, usamos o que nos é imposto, gostamos do que aparece na capa da revista, copiamos o look que certas blogueiras ou stylists apresentam como boa ideia. Reproduções do que é massificado. Vixi. Talvez aquela nem seja, para você, uma imagem visualmente bonita… talvez você não precisa se sentir culpada, ou culpado, em não gostar – em desgostar. Vale a pena investir tempo em reflexão.

Ao se entregar a informação superficial, à pirâmide que nos faz beber um mix de fatores importantes previamente estabelecidos, estamos aceitando que talvez somos incapazes de pensar e de realizar nossas próprias escolhas. É algo como: me entregue o que pensar, me dê o que vestir, me mostre do que gostar e liste para mim conclusões e opiniões finais. Discordar, escolher, sair do padrão é saudável, é inteligente. Ir além é ser esperto, é pensar. Pensar cansa, claro – requer um mínimo esforço. Mas todos se esforçam por algo… se esforçam para conquistar uma pessoa bacana, para ter um corpo bonito, para conseguir aquele ingresso esgotado ou mesmo para comprar aquilo que tanto queria.

Ler não cansa. A leitura é um exercício, daqueles que podem ser trabalhados dia após dia. Ler engrandece independente do assunto, vale um livro, o jornal (não o tablóide de 0,25), a revista de moda, de cultura, de economia ou seja lá do que for. Deixar de ser superficial é o que gera diferenciação. Você é diferente, e melhor, que os demais. Mente quem diz que ser só mais um é legal. Isso pesa, pesa na vida pessoal e pesa demais no ambiente profissional. Já pensou? Já sentiu isso na pele? Pois é.

Por isso acho que quando falamos muito sobre a situação do blogs de moda estamos, de certa forma, gritando ‘culpado’ para uma esfera de uma situação geral. O que preocupa, ou assusta, é essa visão global que mostra que em todos os lados muitos se limitam ao que entretêm e pouco querem saber do que engrandece e informa.

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30 março 2011
E quanto ao vermelho…

Quente, marcante, sedutor e sensual. O vermelho é uma cor cheia de mensagens, cheia de elementos capazes de contextualizar a feminilidade em graus e formas altamente variáveis. Daí que cada um pode explorar esse universo da forma que mais desejar, manipulando o tom a favor de suas vontades. Isso funciona com tudo, claro.

O vermelho junto a neutros, pensados não só na casa do preto, funciona como cor chave para trabalhar o ponto focal. O tom salta, pula, e leva toda a atenção do look para aquele lugar – aconteça o que acontecer. Junto ao marinho o vermelho reforça a característica navy e com o verde caminha fortemente para o lado criativo. O vermelho com preto é receita de drama, do sexy, fatal. Assim a cor, em suas diversas tonalidades, é uma representação pura do quanto o universo feminino é grande e cheio de ramificações. Bom assim.

Para fechar a doce lembrança de que o vermelho vivo, vibrante, agrega peso visual enquanto o vermelho mais profundo, fechado, funciona as vezes como um substitudo feliz para os neutros. Nos acessórios, nas peças, seja onde for vale aplicar e investir.

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29 março 2011
Acertando no jeans

Acertar a escolha do jeans pode levar tempo, afinal não é o tipo de roupa mais amigável em todo o universo – elejo, para tal, os vestidos. Mas, de qualquer forma, o desejo de ter um curinga jeans ou mesmo de brincar com tal peça leva a insistência na compra errada ou mesmo no incômodo diário com o tecido que quando em modelagem inadequada machuca e gera impaciência.

Antes de tudo alguns minutos de reflexão podem mudar sua ideia sobre a real necessidade de ter (e usar) jeans dia após dia. As calças de outros tipos de tecido (afinal não entendo isso de calça de tecido, pois jeans é tecido) são mais leves, mais suaves, mais elegantes, mais interessantes para modelar e valorizar a silhueta. Acha pouco?! Elas são igualmente versáteis e podem, aliás, gerar um número muito maior de composições. Abrir o leque é importantíssimo.

Decidida a levar um jeans para casa é importante entender seu corpo por quatro partes ou proporções. Bumbum, coxas, cintura e quadril. O comum erro da escolha começa logo aí, quando optamos por um jeans que funciona no quadril mas pega na coxa, fica bonito na coxa mas sobra na cintura ou então fica certinho na cintura mas deixa papo no resto do corpo. Complicado. Visualizar o jeans como um conjunto de pontos, centrados nessa região alta da peça, é caminho para encontrar o que melhor fica em cada corpo. Primeiro fato: nem toda loja possui um jeans adequado ao seu corpo. Vale encontrar o local, ou a marca, que tenha uma ideia adequada para você.

O que observar então já que são tantas as coisas importantes?! Corpos com curvas pedem jeans com curvas, que abracem as coxas e o bumbum evitando assim aqueles papos nada desejados. O mesmo pode ser pensando para os bolsos da peça, não só os traseiros mas também os da frente da calça. Os bolsos de trás quando muito baixos acabam por aumentar um ampliar o bumbum pequeno ou inexistente, enquanto os mesmos em silhuetas curvilíneas acabam por achatar o corpo e gerar aquele efeito apertado no quadril. Detalhes que são um passo para gordurinhas saltarem e volumes se acumularem nos lugares mais estranhos. Nessa mesma ideia a costura lateral do jeans deve ser mais curva no caso de coxas grossas e bumbum grande, fazendo esse efeito de proteger a região de trás sem comprimir a cintura e o umbigo. Complicado?! Que nada. Basta observar como se comporta aquela linha reforçada na lateral do jeans que deve sempre dar um suporte às suas curvas naturais. Outro detalhes importante é a localização da cintura, se mais alta ou mais baixa. O que importa, claro, é tentar fazer essa relação entre curvas e forma física. Veja que alguém de barriga sarada pode brincar com cinturas um pouco mais baixas, aos menos na frente, enquanto gordurinhas extra pedem por uma cintura um pouco mais alta ao menos na parte de trás.

Essas pequenas diferenças tendem a ser trabalhadas nas grandes marcas que tentam fidelizar seus clientes com modelos específicos que não saem das coleções. Eles voltam, estação após estação, repensados nas cores e lavagens. São essas as pequenas interferências que mudam a cara do seu jeans, não tanto a modelagem que uma vez descoberta vai ‘sempre’ valorizar o seu corpo.

As imagens são da Levi’s que com a linha CurveID conseguiu explorar bastante esse carente universo de jeans específicos para tipos de corpos. Na marca são quatro as variações: slight curve (formas retas), demi curve (proporções homogêneas), bold curve (curvas genuínas) e supreme curve (curvilíneas). Vale tentar. E não, não estou ganhando nada para fazer esse post… mas bem que merecia. =)

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28 março 2011
Oh No, she didn’t…

Adoro o humor de Clinton Kelly, o elegante consultor de estilo do What not to Wear americano. Em meio as dicas e orientações uma chuva de tiradas engraçadas por vezes desnecessárias que carregam sábios ensinamentos. Cada participante, visto como um cliente, é chave para aulas de estilo e adequação. O que no serviço contratado é ensinado com delicadeza na televisão é estampado como fonte de piada e diversão alheia. É o preço que se paga por estar em um programa (e ganhar uma nota para comprinhas).

Em um dos livros de C. Kelly, Oh No, She Didn’t, uma listagem divertida e sábia de registros que não deveriam ser repetidos por ninguém – leia-se ninguém. De detalhes à costumes banais coisas que facilmente estragam o look e a imagem como um todo. Selecionei alguns trechos, oito entre 100, entre os que mais achei válidos – deixando de lado, ainda, muita coisa que concordo. Vem comigo.

Alguns são clássicos, não?! Bico do seio marcando por baixo da roupa, jeans grande e largo na parte de trás, lingerie caindo e gerando incômodo e, por fim, a tenebrosa linha de calcinha marcando por baixo da roupa. Tudo incrivelmente fácil de solucionar, como num estalar de dedos. A lingerie certa, no caso o sutiã adequado, fica confortável e deixa de revelar o que é natural do corpo; um ajuste discreto faz o jeans perfeito nas coxas e quadril ficar perfeito também na linha de cintura; a calcinha certa pára de subir e/ou num passe de mágica desaparece por debaixo do tecido.

Comprimentos mini em tempo de valorizar outros pontos fortes, postura ruim, cinto marcando e revelando pontos fracos e, por último mas não menos importante, o terrível fio dental aparecendo a cada ensaio de movimento. Mulheres maduras tem muito a mostrar, muito a contar ao mundo que não precisam, de forma alguma, lançar dos mesmos argumentos utilizados na terceira década de vida; uma postura ruim envia várias mensagens negativas e em nada acrescenta ao visual de um pessoa; cintos podem valorizar muito um visual, mas podem também destruir uma silhueta simpática quando revelam a barriguinha ou salientam a ausência de linha de cintura; a lingerie, seja qual for, não foi feita para aparecer… muito menos no caso de um fio dental.

São falhas pequenas, deslizes que cometemos as vezes sem perceber. Coisas discretas que, no entanto, podem arruinar de vez o visual e a imagem de alguém.

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26 março 2011
O lado bom de não saber

Reconhecer o desconhecimento sobre certas coisas é sinal de inteligência e um passo decisivo para a mudança. É a porta de partida para a transformação, evolução. Quem não reconhece suas fraquezas, não sabe das suas limitações, carrega semprea sensação de perfeição que leva ao acomodação. A inquietação da busca por algo melhor, mais interessante, é o que serve de impulso para saltos maiores ou mesmo retrocessos temporários em busca de eliminar problemas que se mantêm por raízes podres que facilmente se multiplicam. Muitas metáforas para ilustrar algo simples, algo que vemos todos os dias em nossa própria rotina.

“Pior que não saber é fingir que sabe. Quando você finge que sabe, impede um planejamento adequado, impede uma ação coletiva eficaz. (…) quando você está no fundo do poço, a primeira coisa que precisa para sair de lá é parar de cavar. E a pá que continua cavando é, ao não saber, fingir que sei. (…) a pessoal humilde é capaz de ter dúvida, e isso é o motor da mudança.”

 

Sábio trecho adaptado que nos impulsiona a perguntar mais, a questionar mais, a ter humildade para buscar a resposta alheia. Parar um pouco, respirar, procurar e aceitar ajuda são pequenos hábitos que fazem toda a diferença; são hábitos das pessoas sábias, aquelas que sabem que ninguém é capaz de dominar o mundo (e ser pleno) sozinho.

O trecho é do livro de Mario Sergio Cortella. “Qual é a tua obra?”

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