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02 dezembro 2010
Quanto vale?

Hoje gastei o tempo entre um atendimento e outro para brincar de provar as peças da coleção da Espaço Fashion para a C&A, depois corri para a Zara por questão de hábito. As roupas são bonitinhas, bem engraçadinhas mesmo; atenção especial para as estampas e para os shorts/saias de comprimento mini. Tudo bem. Gostei de várias coisas, achei outras de péssima qualidade, mas não comprei nada. Não fui para comprar. Ao sair da loja, em coisas de twitter (me segue lá, sou @alburcas) encontrei por acaso com Ana Pedras (colega de profissão, blogueira, que me deixou mais louca ainda por um ipad) e Isabel Borges (leia-se De Viés). Ao ver a etiqueta de uma das compras da Isabel, Ana disse: “nossa, como as coisas estão caras”. É verdade. As coisas, principalmente as roupas, estão caras. Me senti bem por não ser a única a achar isso… porque não consigo pensar em outra coisa e não tenho argumentos para justificar preços com clientes, o que melhora meu trabalho já que o mesmo fica mais valorizado pela relação entre custo e benefício. Eba. Comprar bem em tempos de coisas caras é tudo o que se precisa para não passar raiva. Mas, voltano para as tais ‘coisas caras’… coleções especiais tem um preço alto que cai direto na etiqueta. Vale a pena? Por mais que as peças sejam bem parecidas com as da marca original, principalmente num caso como o da Espaço Fashion, há de ter a noção clara de que não passa de C&A – fast fashion; são peças marcadas que muita gente vai ter, principalmente nos grupinhos mais ligados a essas linhas. Ok, legal. Existem pontos fortes e fracos nessa brincadeira que já tratei em outro post, sendo até crítica demais.

E o mesmo vale para a Zara. Provei, provei e provei. Amei uma blusa, talvez até compraria, mas R$80 numa peça que estava cheia de defeitos é muito para o meu bolso… pesa, vai estragar mais ainda com o tempo e logo vou ter que parar de usar não por vontade mas por qualidade. Se alguma das peças não tivesse defeito, se custasse metade disso, ou menos como vemos nas redes gringas… outra história.

Sim, as coisas estão caras mas não venham me culpar exclusivamente os impostos. Dia desses no Pense Moda houve uma boa discussão sobre produtos importados vendidos no Brasil. Não estava lá, mas acompanhei tudo aqui pela internet. Deu um bafafá e eu não conseguia parar de pensar… quer fazer a indústria da moda brasileira falir? Deixa entrar por aqui todo e qualquer produto importado com preço baixo… vai ser um desastre! Pensem. Enfim, os impostos estão ai e são sim altos principalmente em bens supérfluos (quiçá os importados, que possuem similares no mercado nacional) mas não dá para culpar exclusivamente o governo e não pensar no outro lado. É questão de proteger o mercado interno. E a gente precisa mesmo de roupas importadas? Acho que quem precisa tanto pode ir fazer suas compras nos Estados Unidos ou em qualquer país da Europa e pronto. Não me venha com mimimi de quero minha Louis Vuitton por 1.500… zZzZZzz Temos bolsas legais aqui também e existem tantas outras marcas lá fora… Só me dói nos eletrônicos, mas é só ter paciência para esperar uma viagem, ter bons contatos que viajam muito ou pagar mais caro por aqui – e parcelar de 10x, coisas do nosso brasilsilsil país do futuro.

Assim, então, tentando voltar para o ponto inicial… será que não é possível também importar os preços bonitos? Blusinhas por 9,90, calças por 29,90, jaquetas por 37,90… estou sendo muito Pollyanna?! Talvez. Mas sei quanto custa tecido direto na fábrica, sei quanto ganha uma costureira de facção… é só fazer as contas e não produzir em minas que possui uma carga tributária absurda (sabia?! até diminuíram quase pela metade em certos pontos, no meio do ano, but…). Enquanto os preços forem caros fico com meus hábitos de sempre, cada vez mais fechados. Poucas roupas, muitos acessórios, peças que duram e um guarda-roupa com a minha cara e não com a cara da estação. Até que sou bem feliz assim.

Sim, sou eu na foto com a saia da C&A/EspaçoFashion que custava, acho, 79,90 e vestiu super bem apesar do zíper dourado muito duvidoso nas costas da peça. Não comprei, mas se quiserem me presentear provei o tamanho 38. Beijo.

Post de certa forma diário, mais do que outros que estão aparecendo por aqui… crio então uma nova categoria, a ‘Eu Acho’ que vai tratar de questões que pegam muito na minha opinião as vezes levada por critérios bem particulares e nem tanto profissionais. =)

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  1. Mariana
    03/12/2010

    iiihh, sou assim também. Penso bastante antes de gastar meu dinheirinho (agora salário, ex-bolsa). Analiso a roupa, posso até gostar da cor, corte, de algum detalhe, mas se não combinar comigo (e com o meu bolso) não levo. Além disso também observo a qualidade. A gente precisa sim ter critério, ser exigente na hora de gastar. Somos tão exigentes com umas futilidades, por que não sermos mais criteriosas com as roupas? Amarrota muito? Ihh.. tá quase descosturando? Corte com efeito duvidoso? Volume estranho? Cumprimento que faz parecer roupa emprestada? Enfim, também não tenho muitas peças, mas acho que a “chatura” para gastar vale muito a pena. Minhas peças duram e estão sempre comunicando exatamente o que eu quero. Eu acho que sei gastar meu $, me vestir e estou beeem satisfeita assim. E concordo que as roupas estão caras sim, e muito. Minha mãe costura e sei que com R$ 40,00 posso ir bem vestida a um casamento. Preços não se justificam tanto. A própria Farm mesmo.. acho as peças lindas, mas não vejo qualidade que apóie uma comprinha lá. Concluindo, se o preço condiz com a peça, aí sim vale o gasto.

  2. Marina Albuquerque
    03/12/2010

    Amanda, papai vai ficar muito orgulhoso do seu post.
    Essa discussao do pense moda foi no minimo engraçada.
    Culpar a carga tributária é desculpa para ingles ver fora que o IPI e os impostos de importação levam em consideração em pilares que sao: necessidade, nao cumulatividade (tipo a empresa a aproveita o credito do imposto que adquiriu). De verdade eu preciso de um vestido Pucci ?? Eu posso achar lindo e gostar de coisas luxuosas, mas nao é necessario para mim.
    O mercado tem sim que ser aberto mas nao escancarado muito mais levando em consideracao a mentalidade brasileira que sempre prefere coisas importadas em detrimento do produto nacional.

  3. Cristine Lanza
    03/12/2010

    Amanda, você e mesmo a Ama Paula parecem profissionais diferenciadas, com noção de realidade. Talvez por isso são as mais conhecidas no estado. Mas ainda assim procuro por peças importadas, porque tenho acesso a tais quando viajo a trabalho ou lazer. Concordo com tudo o que você disse, principalmente sobre a questão de mercado e necessidade. Não espero encontrar valores semelhantes aqui com a chegada de varias lojas do luxo, mesmo porque até lá fora fico com marcas medianas e essa é a situação da grande maioria. Quem mais reclama dos preços dos importados são as pessoas que viajam e compram Prada, Dior e Gucci em outlet – apenas antigüidades. Parabéns, inteligente, sábia e magrinha!!

  4. Dani Valente
    03/12/2010

    Mas Amanda, deixando de lado os produtos importados, os produtos made in Brasil também são caros. Será que esse protecionismo excessivo em relação aos importados não deixa margem pra isso a medida que não tem concorrencia?
    Bjs, Dani.

  5. Mabia Barros
    03/12/2010

    Pois acho que o colocar a culpa na taxa de importação é só cortina de fumaça. Quando trouxeram o Ecosport para o Brasil, ele deveria custar o mesmo que um Fiesta, por ter a mesma carroceria e por ser um “utilitário popular”. Mas a pesquisa de público feita mostrou que as pessoas topavam pagar mais caro por ele, pelo tamanho e pela marca.

    É o que acontece com a NYX. Lá na origem é uma marca barata. Aqui, por ser importada, as pessoas também topam pagar. Neste mesmo pense moda foi falado sobre uma pesquisa feita que mostra o brasileiro como o que mais topa pagar caro pela marca. E é isso com os importados. Compram H&M não só pelo preço, mas pra dizer que tem uma peça importada, que viajou pra comprar. Não lembra do boom dos moletons da GAP nos anos 1990? E afinal, o que é a GAP?

    Enquanto se pensar mais na marca que no produto, vai continuar caro…

  6. Camila
    03/12/2010

    Adorei isso: “Não me venha com mimimi de quero minha Louis Vuitton por 1.500… zZzZZzz”

    Esta frase da Mabia me chamou atenção: ” Compram H&M não só pelo preço, mas pra dizer que tem uma peça importada, que viajou pra comprar.”
    Isso que a Mabia falou é o famoso e querido valor agregado. Com esta historia de look do dia eu vejo muita menina postando roupas de lojas fast fashion gringas. É esta pessoa que não teria coragem de entrar e comprar uma camiseta branca na Marisa, mas a compra fora na forever 21.
    Mas aqui no Brasil a forever tem um status que nem a propria forever sonha.

    Assim… eu também acho… rs

  7. Carol
    03/12/2010

    Eu fico aterroziada qndo vejo saias bobinhas a 900 reais!!!! Onde vamos parar?? As lojas estão muito sem noção!!! Eu corro disso e sempre pechincho mesmo pra comprar!!! Não tenho coragem de gastar meu “rico dinheirinho” em coisas que não vou durar!!! Sou super a favor do calculo preço dividido pelo número de vezes que vc vai usar!!!! Aí a gente vê se vale a pena o investimento ou não, uma calça jeans super vale…agora um saia de pano comum ou com estampas mto marcantes não, mal mal 150 reais!!!!

    O pior é que a tendência é aumentar com esse consumismo desenfreado da mulherada…tem um monte de lojas que antes eram baratinhas e agora estão uma fortuna!!! Por esse motivo a gente prefere comprar fora (tanto em viagens qto em sites gringos)…

    Amei o post!!

  8. Amanda Medeiros
    03/12/2010

    Mariana, o caso da Farm é muito comentado e sempre escuto alguém essas mesmas coisas. rs Mas e o poder do mkt da marca? De tirar o chapéu.
    No fim acabamos pagando pela marca, já consagrada, ou pelo que a marca acha que merece receber por seus produtos e por sua assinatura.

  9. Amanda Medeiros
    03/12/2010

    Marina, essa mentalidade nem é só brasileira é uma questão cultural que inclui muitas outras coisas que vem desde o tempo da colonização… se encontrar os fundamentos teóricos vou até postar sobre isso (não vou falar de boca né, porque daqui a pouco vão pensar que eu acho que entendo de todo e qualquer assunto).

  10. Amanda Medeiros
    03/12/2010

    Cristine, obrigado. Acho que é importante demais valorizar as compras não só depois de feitas, mas lá no provador mesmo.
    Obrigdo pelas palavras. O magrinha é feito da foto. rsrs

  11. Amanda Medeiros
    03/12/2010

    Dani, depois do seu comentário comecei a pensar nisso… que é algo que não havia lembrado. De fato acho que existe esse lado que não pode ser esquecido ou ignorado. Talvez, não sei como (nem imagino) devesse haver alguma forma de evitar essa absurda valorizaçnao dos preços sem que tenhamos que abrir as portas de vez para os produtos de fora… Muito bem lembrado.

    Os made in Brasil são e estão muito caros!E nem precisa ser de ‘grife’… que teoricamente justifica seus valores meramente pela assinatura, exclusividade ou coisas do tipo.

    Bjs!!! =)

  12. Amanda Medeiros
    03/12/2010

    Mabia, muito obrigado pelos exemplos apresentados…
    Esse do moleton GAP eu vivi mas não lembrava. E o boné VonDutch? Acho que segue mais ou menos a mesma linha, mais recente… uma fortuna por aqui e era só um boné.
    Enfim, cada um com o que acreditar ser adequado e/ou necessário pra ser feliz, né?! rs =)

  13. debora
    03/12/2010

    Eu semprei comprei apenas peças basicas na c&A, justamente para não passar pelo constrangimento de cruzar com alguem vestindo a mesma coisa, porém hoje em dia nem o basico eu compro mais, está tudo muito caro, sem falar que a qualidade continua ruim.
    Acho que depois que a C&A começou a fazer campanhas com estrelas internacionais como a Beyonce(coleção medonha, um horror) viajou nos preços, as pessoas acabam pagando R$39,90 em uma blusa de péssima qualidade, mas que vai custar apenas R$3,90 por mês parcelada.
    Se fossemos mais exigentes esses magazines teriam que se adaptar.
    Já comprei muita besteira porque era barato, hoje em dia aprendi a comprar.

    Gostei muito do post e adoro seu blog

  14. Amanda Medeiros
    03/12/2010

    Camila, me irrita muito isso que você citou. Qual a diferença entre Marisa e Forever21? Talvez as linhas da peça e… só! Popular de lá e popular daqui. Bjs!

  15. Amanda Medeiros
    03/12/2010

    Carol, o consumismo me assusta e vejo dia após dia no trabalho. Armário abarrotado, roupas caras e nada pra vestir. A culpa nem é tanto da pessoa, que se deixou levar durante muito tempo pelos impulsos da compra e só foi perceber o tamanho do estrago quase que tarde demais.
    Bjs e que bom que gostou. =)

  16. Amanda Medeiros
    03/12/2010

    Debora, também achei medonha a coleção da Beyonce. Muito medonha!
    Eu já errei bem lá na C&A, principalmente quando começou essa coisa dos estilistas… dei sorte com umas peças e com outras nem sei mais onde foram parar.
    Bjos e obrigado!! =)

  17. Jack
    04/12/2010

    Vou aproveitar pra dar meu depoimento que combina muito com a discussão. Conheci a Amanda a alguns meses procurando alguém que me ajudasse a me vestir melhor e com mais estilo. Ela chegou com um papo complicado de investir, economizar, potencializar e equilibrar. Achei muita matemática mas confiei porque parecia muito competente além de bem vestida e simpática. Eu sempre gastava muito em c&a e renner, mas aprendi a gastar melhor em outras lojas nas quais a Amanda aos poucos me inseriu sempre muito discreta passando quase que por uma amiga o que me deixou confiante. A conversinha dela deu muito certo. Essa menina, que só tem cara de menina mas é uma mulher de coração gigante e ideias maiores ainda, pensa lá na frente enquanto queremos comprar por comprar, assim hoje não acho a roupa bonita e compro porque o que importa é eu me achar bonita. Comprar sozinha e depois combinar não é simples como era com ela, mas é possível. Sinto falta do nosso trabalho mas sou grata pela enorme evolução que o mesmo teve em minha vida. O investimento me assustou, mas valeu cada centavo. Como ela diz, o “processo” foi um sucesso. E agora tomo muito cuidado com roupas baratinhas que me custavam muito caro no final. Jack.

  18. Amanda Medeiros
    06/12/2010

    Jack, lhe agradeci pelo telefone mas também precisa registrar aqui. Acho que o trabalho só foi tão legal pela sua disposição e envolvimento com o ‘processo’. rsrs Bjs e até janeiro! =D