Conversinha Fashion » 2010 » setembro
11 setembro 2010
Toque e aplicação

Não é novidade que as peças do nosso guarda-roupa devem ser versáteis, possibilitando um amplo leque de composições. As variações, porém, não precisam parar dentro de um só cenário – congeladas no visual de trabalho, lazer, festas ou dia-a-dia. Uma boa aquisição consegue passear tranquilamente pelas muitas esferas do vestir, sendo altamente aproveitada sem parecer fora de contexto.

É tudo questão de toque e aplicação. As peças a serem misturadas fortificam os sinais enviados, juntamente aos acessórios – que nem sequer precisei trabalhar nas ilustrações. Uma peça em jeans reforça a casualidade, um corte de alfaiataria aplica elegância, já o corpo a mostra remete a sensualidade. São conceitos bem básicos e óbvios, mas que alimentam nosso estoque de ideias.

10 setembro 2010
Coisas da (tal) vida

Existem dias, ou épocas, em que a vida ensaia brincar com você. Sinais, indicações, encontros, desencontros, falhas e acertos que parecem lhe contar uma história; mas, o quão difícil é entender o contexto?! Encarar uma realidade para a qual tapamos os olhos pode ser muito doloroso e cruel, principalmente quando a novela se arrasta por muito tempo passando a ser parte de seu cotidiano. Já percebeu o quanto é difícil se desapegar de um costume?! Não mais que de repente a vida (essa tal vida, quase uma pessoa materializada) vem lhe dar um susto jogando nas suas mãos, mais que repentinamente, um mundo de informações novas a serem assimiladas. Em meio a essas novidades, talvez das quais você já muito desconfiava, brota a vontade de não acreditar ou ao menos de acreditar naquilo que o outro (ou outra) lhe fala. Saber qual decisão tomar é muito difícil e as estatísticas apontam que quase sempre tendemos a cair no erro, dramatizando pontos a serem esquecidos e menosprezando detalhes e descobertas que tudo possuem de real. Num mundo onde não conhecemos ninguém por completo, mas estamos sempre conectados por coincidências e amizades ligadas à amizades, o que parece mais seguro é confiar em seu coração – por mais barango que isso possa soar. Alguns lhe enganam, outros tentam lhe enganar, mas se algo está acontecendo é porque do jeito que estava não podia mais ficar. Seguir o sexto sentido, sabe?! As vezes parece que a vida (Vida, vou mesmo lhe tratar como pessoa) trata de organizar suas peças, forçando recomeços e encerrando etapas. Curar feridas, esquecer erros do passado, superar medos. Devemos acreditar sempre que se um ciclo se fecha é porque outro muito melhor e mais bonito está para começar. Que tenhamos força para recomeços, que tenhamos coragem para nos expor e que mentiras apareçam em meio a coincidências, nessas coisas que nem os filmes conseguem reproduzir tão bem. Nesse mundo não existem protagonistas e antagonistas, somos todos personagens buscando um objetivo em comum – a felicidade. Se cada novo dia é uma página em branco, temos o direito de nos recusar a repetir um final infeliz.

08 setembro 2010
Rio e mais…

Eu não sou lá a pessoa mais carioca do mundo, em questão de espírito, e sempre duvidei um pouco do meu apego pela cidade. Mas a cada vez que piso naquele lugar uma onda gostosa e refrescante bate em mim com o clima das pessoas e do lugar, com aquelas mil cores que parecem inspirar e dar uma dose super forte de energia. Não precisa nem estar sol, parece que até os dias nublados possuem poesia, por mais utópico que isso possa parecer. Quem é de minas, principalmente de BH, sabe a dificuldade que é encontrar uma turminha colorida e divertida pelas ruas a não ser se você for no Patio num sábado ou domingo a tarde, num Fiuk feelings, já que o pessoal se apega demais aos escuros e neutros – mesmo quando enfeitados.

Não sei porque que mentira isso é tudo que eu precisava hoje, na verdade agora (!) mas ver as imagens do Rioetc me deixou inspirada não só para brincar com tons mais vivos e vibrantes no meu dia-a-dia mas também como dose de astral, remetendo a coisas boas que passo sempre que vou a cidade.

Do yoggi sem drama às havaianas, do mate gelado ao ar pesado, da sainha jeans ao cabelo natural… a montação e a complicação da vida dão lugar ao conforto e a sensação de estar a vontade, achando graça das coisas mais bobas e vendo a vida com um pouco menos de dificuldade.

Eu carrego comigo essa mania de pintar cidades da forma que me tocam, não só o Rio mas Ouro Preto, São Paulo, Rio Claro, Diamantina, Löffingen, Santiago e por ai vai. São memórias com as quais a gente brinca alimentando nossa mente com referências eternas.

07 setembro 2010
Luxo?!

Com a ascensão do mercado de luxo serviços antes específicos a uma parcela limitada da população começam a se espalhar por todas as classes – e esse efeito já não vem de hoje. Entre estes a consultoria de imagem que possui raízes no luxo, mas base fincada em outro patamar. Pode-se dizer que contratar tal tipo de profissinal é um luxo extremamente acessível, tratando-se ainda de um investimento, onde os juros são colhidos onde e como você desejar.

Mas não me limito à consultoria de imagem, que por razões óbvias é o que cito primeiro. Falo de serviços como spas, massagens estéticas, terapeutas, gestores de carreira ou outras ‘futilidades’ bem mais úteis do que podemos imaginar – claro que cada um considera um tipo de coisa importante, mas admita que ao menos um luxo você adquire sem dó! Nem que seja aquele jantar maravilhoso ou a viagem para algum destino exótico, antes inimaginável dentro de seu (ou meu) orçamento.

Essa mudança no cenário se deu não apenas pela ascensão do luxo, como algo interessante (um reflexo da atualidade) mas também e principalmente devido às novas formas de pagamento que viabilizam o sonho. Não cabe a mim esse ponto, mas parcelamentos a perder de vista e outras facilidades são o que levam produtos caríssimos as mãos da massa.

No entanto o luxo hoje não está apenas no ter, no possuir por pura e mera vontade de acumular. O luxo de hoje está em sentir, em abraçar uma sensação que serviços como a consultoria de imagem são capazes de proporcionar. Você não recebe um guarda-roupa pronto, fabricado para um personagem; você se envolve no processo de interpretação de imagem que revela – num trabalho conjunto – qual será o guarda-roupa a ser construído para você… passo a passo. É claro que o grau de imersão dentro do processo varia de cliente para cliente, já que uns se importam mais do que outros com a raiz do trabalho, mas é impossível afastar profissional de cliente. Por essa razão que eu sempre digo que trata-se de um trabalho conjunto.

E nesse luxo a sensação de prazer e confiança vale mais que o produto em si, muitas vezes limitado a um dossiê e/ou um relatório que serve de base para consultas e dúvidas. O produto final é intangível, assim como a nova consciência adquirida após sessões com um analista ou o bem estar após aulas de pilates.

De repente, ou com o passar do tempo, percebe-se que trabalhar muito e se esforçar para ter uma renda alta só vale a pena se algo for desfrutado ainda em vida, com prazeres e sensações que apontam que vale sim a pena viver.

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04 setembro 2010
Corpo real x corpo imaginário

Já percebeu que muitas vezes possuímos uma visão distorcida de determinada realidade? E quando a percepção toca na imagem isso altera o contato, então falho, com as roupas? Pensamos que somos mais cheinhas, mais baixas, mais isso ou aquilo… e buscamos peças para aquele corpo que pensamos ter. Confusão feita e o resultado não tem como ser bom.

Imagine uma pessoa com um distúrbio alimentar, buscando formas de se ver mais magra e mais fina que na realidade – casos extremos de anorexia, bulimia. Talvez nós tenhamos essa ideia sutilmente errada de nosso corpo, não em graus tão avançados e diretos, mas um tanto quanto dentro dessas linhas.

É óbvio que há uma larga e grande diferença entre quem literalmente passa por um transtorno alimentar e quem apenas não consegue se visualizar de forma real em frente ao espelho, mas me preocupa a ideia de que talvez esse detalhe inicial evolua a um processo um pouco mais crítico – não apenas em mulheres jovens ou adolescentes, mas de todas idades e culturas. Por mais que seja o tempo de valorizar a ‘real beleza’, enobrecer diferentes estilos e linhas de corpo, sabemos que a magreza ainda é extremamente disseminada. E por isso encontramos pessoas que literalmente passam a vida se privando de comidas deliciosas ou momentos de diversão porque estão em busca de algo inalcançável. Não há como falsear uma estrutura corporal, uma hora os resultados danosos de uma alimentação irregular e um acúmulo de ginástica mostram seus estragos.

Seguindo essa linha, dentro da ideia de que o corpo magro e ampulheta é o único legal, esquecemos de pensar em detalhes importantes de quem seduz e encanta. Assistindo outro dia o Happy Hour (da GNT) me peguei concordando com o comentário de Fred Lessa que dizia que a bunda bonita não é aquela magra, mas sim a que sorri. Eu, como telespectadora, vejo o Fred como um homem padrão e sincero… e fui lembrando de vários comentários da mesma linha que já escutei por ai.

Voltando a questão do espelho é claro que existem dias nos quais estamos um pouco menos inspiradas, de péssimo humor, mas no geral não há como não se amar e abraçar a realidade. Sofrer dia após dia, lamentando não ter nascido de um certo jeito, é um esforço cansativo que tira forças importantes que poderiam ser aplicadas em outros objetivos mais fáceis de se conquistar. Nisso a dificuldade por vezes dolorosa de encontrar uma roupa que realmente vista bem já que o problema não está nas peças, mas sim de dentro pra fora. Vale parar de se cobrar tanto, encarar e amar a realidade, sem querer se esconder. Uma cicatriz no rosto, coxas grossas, um braço cheio, pouco busto, estatura acima do padrão… acredite em mim, haverá quem goste se você se gostar.

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