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30 agosto 2010
A alma da coreografia

Quem disse que a roupa precisa ser sempre a peça principal de um espetáculo? Nem no nosso espetáculo diário, nas passarelas do dia-a-dia, a roupa precisa ou deve ser ponto central. Quantas vezes já lembramos a importância de colocar o rosto em foco?! Para tudo há momento.

No caso de um figuro, como bem diz o termo, lembra um traje à complementar a arte deixando em primeiro plano aquilo de mais marcante dentro de tal forma de comunicação. Na dança, essencialmente no Grupo Corpo, a roupa nada mais é que uma extensão da essência do espetáculo no qual todos os elementos se abraçam numa sintonia que envolve até mesmo o mais desinteressado dos espectadores. Roupa como um prolongamento.

Em cada obra do Corpo, de 21 à Ongotô, passando por Santagustim, Bach, Benguelê, Parabelo… tudo se complementa. Música aliada à figurino misturado ao cenário que colocar em voga os movimentos ora sutis, ora marcantes, da dança. Como já foi dito inúmeras vezes por Freuza Zechmeister, responsável já a bastante tempo dela ‘imagem’ de palco da companhia (figurinista), o trabalho em conjunto é imperativo. Em sua palavras: “Não há diferença entre criar um figurino, um espaço ou um jardim. Trata-se da ocupação de um objeto no espaço”. Na malha, colante e reveladora, uma forma de dar liberdade aos bailarinos sempre valorizando o movimento. Quando existem detalhes, volumes, eles surgem como um apêndice; nada é pensado de forma isolada. Freuza indica cabelo, adornos, maquiagem… jogos de cores nas roupas que parecem se agrupar naturalmente entre as coreografias, reservando grupos e colocando em destaque um único elemento como numa pintura móvel que vai criando desenhos cada vez mais expressivos. Difícil, claro, é decidir em segundos para onde olhar.

Quando o corpo é a ferramenta, a linguagem principal daquele momento, a roupa se faz acessório numa extensão literal de movimentos e interpretações. Ainda nas palavras de Freuza: “O figurino anima a coreografia, no sentido mais fundo da palavra: dá alma. O que está dentro e o que está fora viram uma coisa só, que se movem no espaço do palco e no tempo da música”.

As fotos que ilustram o post são de José Luiz Pederneiras.

Deixe um comentário em "A alma da coreografia"
  1. Marina Albuquerque
    30/08/2010

    Simplesmente inesquecivel, inacreditavel. Isso que é o que minas tem de bom.!!!!

  2. Amanda Medeiros
    30/08/2010

    É sempre incrível. Massagem na alma! <3

  3. […] This post was mentioned on Twitter by Amanda Medeiros, Amanda Medeiros. Amanda Medeiros said: Novo post: A alma da coreografia – http://www.conversinhafashion.com.br/?p=3397 […]

  4. Cristina Mesquita
    30/08/2010

    Amanda, só tenho elogios para vc!!! Eu, como ex-bailarina me emocionei demais com seu texto… Vc conseguiu transmitir a essência da linguagem da dança com a clareza que só mesmo quem aprecia essa arte é capaz de enxergar!!! Sem dúvida, meu post preferido!!!

  5. Amanda Medeiros
    31/08/2010

    Cris, obrigado! Fico muito feliz (mesmo!) que você tenha gostado do texto. =) Bjs!!